Mistérios financeiros em torno de Dark Horse: laudo da Go Up, metadados de advogado e rota de US$13,3 milhões

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 02/09/2026 21:20
Mistérios financeiros em torno de Dark Horse: laudo da Go Up, metadados de advogado e rota de US$13,3 milhões

Foto: via revista piauí

Em maio de 2026, Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) prometeu, em até trinta dias, divulgar a prestação de contas dos recursos aplicados no filme Dark Horse, mas quase quatro meses depois ainda não apresentou nenhum documento.

A produtora Go Up, responsável pela obra, entregou às autoridades um Laudo de Perícia Investigativa Defensiva, elaborado para comprovar a regularidade de suas contas. O relatório, datado até 4 de junho de 2026, indica que foram gastos exatamente US$ 13.393.081,29 no filme e que a mesma quantia foi recebida do fundo americano Havengate, que administra os recursos enviados por Daniel Vorcaro.

Conforme reportagem publicada na edição deste mês da revista Piauí, o laudo não detalha os valores nem identifica gastos específicos, deixando indefinidos os valores pagos a atores, diretores, produtores, empresas contratadas, serviços prestados ou datas de pagamento. Embora afirme que o dinheiro é rastreável, o documento não apresenta dados que possibilitem esse rastreamento.

Ao ser questionado sobre a ausência de prestação de contas, Flávio Bolsonaro afirmou que a produtora já havia cumprido a obrigação e que o assunto era uma “página virada”.

O autor da nota de esclarecimento apresentada pela Go Up não foi Michael Davis, nem sua sócia Karina da Gama, nem nenhum membro oficialmente vinculado à produtora, mas sim o advogado Paulo Calixto, amigo de Eduardo Bolsonaro e responsável pela administração do fundo Havengate, que teoricamente não tem relação direta com o filme. Metadados do arquivo PDF da nota revelam que Calixto criou o documento duas horas antes de a Piauí recebê‑lo.

Michael Davis negou enfaticamente qualquer participação de Calixto e sugeriu que o escritório brasileiro da Go Up explicasse a presença do nome nos metadados. Karina da Gama, que também enviou a mesma nota, deu respostas vagas, inicialmente alegando que o ofício poderia ter sido impresso em papel timbrado de documento pré‑existente, depois afirmando que o documento “saiu da Go Up com informações de Calixto”, e finalmente declarando desconhecer quem havia escrito o documento.

Em troca de perguntas da Piauí, Karina respondeu de forma confusa: “Quais informações de Calixto que foram usadas?… Não sei, não sei o que te dizer”. Quando indagada sobre quem escreveu o documento, afirmou que a produtora não sabia.

Paulo Calixto não consta oficialmente como produtor, executivo ou integrante da Go Up, mas sua presença no episódio adiciona outra interrogação à rota financeira de Dark Horse.

A Polícia Federal segue investigando o percurso dos recursos enviados por Vorcaro para a produção. Conforme a Piauí, o total dos recursos pode chegar a US$ 14 milhões, ou R$ 72 milhões. A revista tentou contato com Calixto, sem obter resposta.

Os recursos não foram transferidos diretamente das empresas de Vorcaro nem depositados na conta da Go Up. Em vez disso, o banqueiro enviou o dinheiro por meio do cambista Antonio Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos e Participações, que se descreve como especialista em “câmbio de saída”, operação considerada de maior risco.

O dinheiro foi encaminhado ao fundo Havengate, que por sua vez enviava os valores à produtora. As investigações focam em determinar se todo o montante chegou à produção ou se parte ficou retida no fundo ou foi desviada para o bolso de Eduardo Bolsonaro, que passou a residir nos Estados Unidos em fevereiro de 2025 – data coincidente com o início das remessas de Vorcaro ao Havengate.

A primeira transferência, de US$ 2 milhões, ocorreu em 13 de fevereiro de 2025. Até o momento, não há evidência de que parte desses milhões tenha sido usada para custear a permanência de Eduardo nos EUA, porém os investigadores buscam esclarecer o papel de Eduardo na cadeia financeira.

Quando o site Brasil Intercept divulgou detalhes sobre a movimentação, a matéria ganhou maior repercussão, intensificando o escrutínio das autoridades sobre o caso.

Com informacoes de revista piauí.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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