Dark Horse: registro como obra estrangeira gera debate sobre financiamento e responsabilidade

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 27/08/2026 09:21
Dark Horse: registro como obra estrangeira gera debate sobre financiamento e responsabilidade

Foto: via Folha de S.Paulo

Flávio Bolsonaro tem reiterado que as discussões em torno de "Dark Horse", filme que retrata a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro, são "página virada". O senador destacou que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu ao longa o registro de "obra estrangeira", o que, segundo ele, o protege de investigações acerca da origem, percurso e destino dos recursos empregados na produção.

A classificação como produção "americana" implica que o dinheiro, embora gerado no Brasil, poderia ter sido movimentado pelos Estados Unidos antes de retornar ao país para cobrir despesas locais. Essa situação levanta dúvidas sobre a real natureza da obra: seria ela, tecnicamente, estrangeira?

Para determinar se uma produção cinematográfica é nacional ou estrangeira, não basta observar o nome do produtor que aparece nos créditos abaixo dos atores e do diretor. Esse profissional costuma ser o produtor executivo, responsável por contratar talentos, supervisionar as filmagens, organizar a equipe e acompanhar o projeto até a fase de corte final e exibição. Ele ocupa um cargo administrativo, semelhante a outros nomes que aparecem rapidamente nos créditos finais.

O verdadeiro produtor, cujo nome pode não constar nos créditos, é quem detém o controle financeiro do filme. Essa pessoa possui a titularidade legal do material original, dos direitos de distribuição, exibição em diferentes mídias e, sobretudo, do copyright. Em suma, o produtor é o investidor que viabiliza a produção e, por isso, tem o direito de exigir contrapartidas, seja em termos financeiros ou de favores institucionais.

Quem aportou os recursos para a realização de "Dark Horse"?

Não parece plausível que investidores americanos apostem em um filme cuja bilheteria ainda é incerta no mercado brasileiro. Além disso, Flávio Bolsonaro teria solicitado, em nome do pai, milhões de reais a Daniel Vorcaro para quitar dívidas com empresas americanas. Caso Vorcaro seja o financiador, o filme seria classificado como produção nacional e, portanto, teria que prestar contas às autoridades competentes.

Se a hipótese de Vorcaro como produtor for confirmada, a Ancine, a Polícia Civil de São Paulo, a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República, o Supremo Tribunal Federal e o então ministro André Mendonça deveriam ser notificados para averiguar a origem dos recursos e a regularidade da produção.

O texto original, de Ruy Castro – jornalista, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, conhecido pelas biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues – foi publicado na coluna da Folha de S.Paulo em 27/08/2026. O artigo completo está disponível em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/08/dark-horse-estrangeiro-onde.shtml.

Com informacoes de Folha de S.Paulo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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