Ministra Cármen Lúcia pede desculpas no STF e gera reações divergentes entre juristas
Na terça‑feira, dia 15, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, dirigiu‑se à sessão e declarou: “Peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente”.
A manifestação foi recebida com sensibilidade por ativistas dos direitos das mulheres, mas também gerou frustração entre quem aguardava uma intervenção mais contundente para conter o tumulto provocado pelos colegas ministros, todos do sexo masculino.
Juízas de todo o país se reconheceram nas palavras da ministra, segundo relato de uma magistrada integrante de um dos doze coletivos feministas que enviaram flores à Cármen Lúcia.
A advogada Maria Berenice Dias, primeira mulher magistrada do Rio Grande do Sul, afirmou que “Cármen Lúcia foi a voz de toda a sociedade”.
Raquel Dodge, ex‑procuradora‑geral da República, destacou que a ministra, com a autoridade de quem já presidiu o STF e integra a corte há duas décadas, “expressou mal‑estar cívico não apenas como lamento, mas sobretudo como uma convocação à corte para que atue imediatamente para trazer paz e justiça ao país”.
Eliana Calmon ressaltou a dificuldade de uma mulher sobreviver em um tribunal predominantemente masculino, ao dizer: “Não é fácil uma mulher sobreviver numa corte masculina”.
Analistas apontam que, ao longo de quase 20 anos na corte, Cármen Lúcia alinhou‑se politicamente com Gilmar Mendes, votando ao lado dele e de seus adeptos, apesar de ter se promovido como feminista.
Eliana Calmon agradeceu à ministra por “ter resistido e não ser cooptada pela insensatez dos colegas, o que se tornou possível diante da sua vida de moral ilibada”, e declarou conceder‑lhe perdão como cidadã brasileira, espectadora política e mulher.
A própria Calmon, feminista que em 2023 combateu a instituição das cotas, contou que mudou de posição ao conhecer “a verdadeira história de como foi aprovada a tese das listas de paridade”.
Uma desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo preserva a imagem de Cármen Lúcia como figura desafiadora; a magistrada recorda que, há 40 anos, Cármen adotou o uso de calças compridas no tribunal paulista, prática então considerada proibida, embora não houvesse norma escrita.
A mesma desembargadora rejeita o pedido de desculpas, classificando‑o como tardio e ineficaz, e acusa a ministra de ter assistido em silêncio a uma encenação estratégica para evitar o julgamento do caso, criando questões de ordem “totalmente descabidas”. Ela afirma que Cármen poderia ter feito um aparte naquele momento.
Outros temas discutidos na mesma sessão incluíram possíveis desdobramentos nos processos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques (Mendonça), o voto de cada ministro sobre o caso Moraes, análise em podcast do pedido de vista de Dino e da falta de definição, explicações sobre o uso de drones com câmera térmica e o motivo do uso da toga pelos ministros do STF.
- Jaguariúna Rodeo Festival 2026 estreia com Zezé Di Camargo & Luciano, Wesley Safadão e Natanzinho Lima na sexta, 18
- Luciano Hang destina R$ 25 milhões ao prêmio de fim de ano e poderia comprar 351 Renault Kwid zero km
- Luciana Gimenez, 56, mora em tríplex de 750 m² na zona sul de São Paulo com obras de arte e retratos autografados de Mick Jagger, John Lennon e Yoko Ono
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

