Minas Gerais volta a ser peça‑chave na disputa presidencial

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 21/10/2026 10:00
Minas Gerais volta a ser peça‑chave na disputa presidencial

Foto: via Gazeta do Povo

O presidente Lula (PT) tem pela frente uma missão considerada quase impossível no estado que historicamente decide as eleições brasileiras, com a segunda‑fase prevista para o domingo, 25 de outubro.

No primeiro turno, realizado no dia 4, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 48,2% dos votos válidos em Minas Gerais, superando Lula, que ficou com 43,3%.

Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos conquistaram a maioria nas urnas mineiras, o que torna o segundo maior colégio eleitoral do país um ponto crucial para qualquer candidato que almeje o Palácio do Planalto.

Na última semana, tanto Flávio quanto Lula intensificaram a campanha no estado, acompanhados por aliados de peso. Flávio viajou ao Vale do Jequitinhonha, tradicional reduto petista, para realizar um comício em Capelinha, cidade onde venceu o primeiro turno. No palanque, na quinta‑feira, 15, ele declarou: “O Brasil quer mudança e eles vão ter que aturar o Bolsonaro subindo a rampa da Presidência da República. [...] Eles tentaram enterrar o Bolsonaro vivo achando que iam calar o nosso sentimento”.

Durante o evento, Flávio foi apresentado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG), principal cabo eleitoral do filho do ex‑presidente Jair Bolsonaro no estado. Ferreira foi o candidato a deputado federal mais votado do país, registrando 3,1 milhões de votos, conforme levantamento dos 10 deputados federais mais votados em 2026.

O cientista político mineiro Adriano Cerqueira, professor do IBMec em Belo Horizonte, explica que Minas Gerais reflete a diversidade de posicionamentos dos diferentes nichos eleitorais. Apesar da vitória de Flávio no estado, Lula conquistou o Vale do Jequitinhonha, região de forte influência nordestina, e a Zona da Mata, onde está situada Juiz de Fora. O maior município da zona, administrado pela prefeita petista Margarida Salomão, recebeu Lula na sexta‑feira, 16.

No mesmo dia, o presidente fez uma caminhada em Ipatinga, no Vale do Aço, ao lado da senadora eleita Marília Campos (PT), um dos nomes mais relevantes do partido em Minas. Marília, ex‑prefeita de Contagem – segunda maior cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte – foi reeleita com mais de 60% dos votos válidos no primeiro turno das eleições de 2024 e deixou o cargo no final de março para concorrer ao Senado.

Cerqueira avalia que Lula precisará buscar alianças regionais, especialmente no norte de Minas, onde poderá contar com lideranças locais e movimentos de base ligados à Igreja Católica para ampliar seu apoio.

Nas redes sociais, o deputado federal André Janones (Rede‑MG) se destaca como um dos principais aliados do petista, comandando o grupo de mensagens “Exército do Lula”, que reúne mais de 4,5 milhões de seguidores.

Flávio Bolsonaro venceu na capital, Belo Horizonte, e na região metropolitana, onde está concentrado cerca de 30% do eleitorado mineiro. O cientista político ressalta que o sul de Minas representa a segunda região mais relevante nas urnas, com aproximadamente 15% dos eleitores, e que Flávio venceu nas cidades estratégicas de Poços de Caldas e Pouso Alegre, próximas à divisa com São Paulo.

Segundo Cerqueira, para obter uma votação expressiva em Minas, é imprescindível percorrer todo o estado e reconhecer as especificidades regionais; o sul possui realidade socioeconômica distinta do Triângulo Mineiro e do norte, o que faz da regionalidade um microcosmo do Brasil.

O governador recém‑eleito, Cleitinho Azevedo (Republicanos), consolidou sua vitória no primeiro turno com 55,4% dos votos válidos, e logo reforçou apoio a Flávio Bolsonaro, apesar da candidatura estadual do empresário Flávio Roscoe (PL). Essa vitória impactou os planos de Lula, que contava com a manutenção do tradicional palanque petista em Minas.

O PT lançou como candidato à presidência Patrus Ananias, que obteve 26,2% dos votos válidos, ficando em segundo lugar. Cerqueira observa que muitos eleitores bolsonaristas optaram por votar em Cleitinho para impedir a formação de um palanque a favor de Lula, reproduzindo o padrão de voto útil anti‑PT observado nas eleições nacionais.

O alinhamento formal entre Cleitinho e Flávio foi adiado no primeiro turno devido à indefinição da candidatura pelos Republicanos, que só foi confirmada ao final do prazo de registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quando a candidatura foi oficializada, a primeira declaração de Cleitinho foi de apoio a Flávio Bolsonaro.

Com informacoes de Gazeta do Povo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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