Milhares de cerâmicas de 2.100 anos são descobertas em naufrágio na costa da Turquia

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 30/09/2026 12:20
Milhares de cerâmicas de 2.100 anos são descobertas em naufrágio na costa da Turquia

Foto: via O GLOBO

O naufrágio foi localizado na região de Adrasan, na província de Antália, no sul da Turquia, a uma profundidade que varia entre 42 e 55 metros. As escavações subaquáticas tiveram início em 2025 e continuam em andamento, contando com o auxílio de robôs especializados.

De acordo com o Ministério da Cultura e Turismo da Turquia, a maior parte da carga era composta por peças produzidas em Rhosus, antigo assentamento que corresponde à atual Arsuz, na província de Hatay. Entre os objetos recuperados estão pratos destinados ao serviço de peixes e castanhas, tigelas para sopas e bandejas de diferentes dimensões, todos reconhecidos como artigos de luxo no mundo romano.

A descoberta auxilia na compreensão da circulação de mercadorias pelo Mediterrâneo em uma época em que múltiplos centros de produção estavam interligados por rotas marítimas. A relevância dos achados é reforçada por uma carta enviada por Cícero ao amigo Ático em 50 a.C., na qual o político romano menciona ter encomendado utensílios de cerâmica provenientes de Rhosus, indicando que esses produtos eram amplamente conhecidos e comercializados.

Além das cerâmicas, os arqueólogos identificaram ânforas que teriam sido fabricadas em algumas ilhas do mar Egeu, sugerindo que o navio transportava mercadorias de diferentes procedências e reforçando a ideia de um comércio diversificado.

A forma de acondicionamento da carga contribuiu para a excepcional preservação das peças. Os recipientes foram embalados em caixas de madeira, com camadas de argila entre eles, o que funcionou como amortecedor contra impactos e evitou que os objetos se quebrassem durante o transporte e o naufrágio.

Moedas encontradas no local, entre elas peças originárias de Antioquia datadas do século I a.C., ajudam a confirmar a época em que a embarcação afundou.

Com base nos artefatos recuperados, os pesquisadores formulam a hipótese de que o navio partiu de Rhosus e seguiu uma rota comercial que conectava a região ao mar Egeu, à Grécia e à costa italiana, tendo Roma como provável destino final.

Acredita‑se que o navio tenha atingido uma área rasa durante uma tempestade e afundado. No momento do acidente, o estado estava sob alerta para tempestades, assim como outras áreas da região.

Os trabalhos arqueológicos continuam no local, com o objetivo de recuperar e estudar os objetos preservados no fundo do Mediterrâneo.

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Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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