Milei reduz gasto público da Argentina com ajuste fiscal, apoiado por conjuntura externa

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 01/08/2026 06:20
Milei reduz gasto público da Argentina com ajuste fiscal, apoiado por conjuntura externa

Foto: via O GLOBO

O governo argentino tem promovido um duro ajuste fiscal desde o início do mandato de Javier Milei. A despesa primária do Executivo federal, medida em 12 meses como proporção do PIB, caiu de 19,5% em maio de 2023 para 14,3% em maio deste ano, segundo cálculos da consultoria Analytica com base em dados oficiais.

Além disso, o governo promoveu mudanças no mercado cambial — removendo controles para a compra de dólares —, recebeu apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) e voltou a captar recursos no mercado externo. Analistas avaliam, porém, que 2027 será o grande teste para as reformas de Milei.

A campanha para as eleições presidenciais de outubro do ano que vem testará a disposição do governo de seguir o ajuste fiscal com seus possíveis efeitos negativos na popularidade de Milei. Além disso, o país tem US$ 25 bilhões em dívidas em dólar vencendo em 2027, e pode não se repetir o cenário externo favorável deste ano, com a guerra no Irã turbinando os ganhos com petróleo e os juros americanos baixos facilitando captações.

Para Fabio Giambiagi, do FGV Ibre, a situação fiscal está em ordem e as contas externas têm melhorado, mas a dúvida é se isso é suficiente para um longo processo virtuoso. Os gastos públicos do governo federal já foram comprimidos de tal forma que o espaço para novas reduções agora é bem mais limitado, diz Giambiagi.

A inflação despencou de 211,4% em 2023 para 31,5% no fim de 2025, e a previsão é de fechar em 30% este ano. Do lado das empresas, os setores de energia (petróleo e gás), mineração, agronegócio e financeiro vão bem, mas o desempenho do restante da economia é pífio, segundo analistas.

Os gastos totais do governo federal, incluindo juros, estão em queda constante como proporção do PIB. Passou de 16,8% em 2024 para 15,9% em 2025 e 15,5% em 2026. Tito Nolazco, gerente de Assuntos Públicos para a América Latina da consultoria Prospectiva, diz que o país depende muito de condições externas favoráveis.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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