Instagram rotula fotos reais como IA e ignora imagens totalmente sintéticas, gerando confusão

Por Viviane Cristina Santos em Rio Verde, GO 04/09/2026 17:10
Instagram rotula fotos reais como IA e ignora imagens totalmente sintéticas, gerando confusão

Foto: Canaltech

O sistema de rotulagem de inteligência artificial da Meta tem provocado situações contraditórias no Instagram: fotos reais que receberam apenas pequenas edições ou foram ajustadas com ferramentas assistivas de IA podem ganhar automaticamente o rótulo “Conteúdo de IA”, enquanto imagens totalmente criadas por modelos generativos conseguem aparecer na plataforma sem qualquer aviso.

Essa inconsistência não é novidade. Em 2024, poucos meses após o lançamento do selo “Made by AI”, a Meta já enfrentou críticas por identificar como conteúdo gerado por IA imagens que tinham passado por alterações consideradas simples pelos próprios criadores. Na ocasião, a empresa afirmou que ajustaria o sistema para levar em conta a “quantidade de IA usada em uma imagem” e citou padrões da indústria, como metadados IPTC e C2PA. Contudo, não detalhou quais sinais são analisados atualmente, e relatos recentes mostram que o problema persiste.

Usuários relataram o rótulo de IA em fotos reais no Threads. Pessoas que usaram o removedor de fundo do Canva ou recursos para eliminar pequenas imperfeições receberam a marca “Conteúdo de IA”. A própria página de ajuda do Canva afirma que a ferramenta de remoção de fundo não adiciona metadados de conteúdo gerado por IA ao design. A estrategista de conteúdo Jess Bruno também compartilhou, no Threads, caso semelhante envolvendo o Canva, e a empresa declarou que corrigiu o problema, embora outros usuários continuem relatando ocorrências.

Um caso notório envolve a About Face, marca de cosméticos de Halsey. A empresa informou que fotografias reais, feitas com iPhone e submetidas a edições leves, foram identificadas pelo Instagram como conteúdo de IA. A marca destacou que as imagens utilizavam pessoas e artistas reais, sem geração de personagens ou fotografias sintéticas, o que evidencia o impacto direto no fluxo de trabalho de fotógrafos, designers, marcas e criadores de conteúdo.

O portal The Verge realizou testes com diferentes ferramentas de edição e geração de imagens. Foram avaliados o recurso de apagar fundos do Photoshop, funções generativas do Adobe Firefly, o modelo Google Nano Banana no Gemini e recursos do Apple Intelligence. Apenas as imagens editadas ou geradas pelas ferramentas de IA da própria Meta ativaram o rótulo de forma consistente.

Para fotógrafos, marcas e criadores, receber um aviso de que uma imagem é gerada por IA pode gerar uma impressão equivocada ao público sobre como aquele conteúdo foi produzido. Uma fotografia registrada por uma câmera e posteriormente editada com uma ferramenta de remoção de objetos, por exemplo, não deveria ser apresentada da mesma forma que uma cena criada inteiramente por um modelo generativo. Por outro lado, quando uma imagem totalmente sintética não recebe identificação, o público pode ficar sem saber que aquela cena nunca existiu fora do computador.

Como já mostramos em 01/09, quando a Instagram passou a exigir o selo “Perfil gerado por IA”, a plataforma não para de ajustar suas políticas de rotulagem. Se você gostou do conteúdo, talvez também se interesse por saber “Como evitar que os dados do Instagram sejam usados para treinar a IA da Meta”.

Com informacoes de Canaltech.

Viviane Cristina Santos

Sobre o Autor: Viviane Cristina Santos

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