Mesada, poupança e consumo digital: como ensinar dinheiro aos filhos no Brasil

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 12/10/2026 11:40
Mesada, poupança e consumo digital: como ensinar dinheiro aos filhos no Brasil

Foto: via G1

Uma pesquisa recente aponta que compras digitais e conceitos como juros e investimentos desafiam os pais brasileiros, e especialistas explicam como usar a mesada, ensinar a poupar e lidar com os primeiros erros financeiros das crianças.

Para o bancário Silas Gabriel, dar R$ 10 para a criança fazer compras no supermercado pode ser mais do que uma forma de deixá‑la escolher o que quer levar para casa; é também uma oportunidade de ensinar o filho Rafinha, de 5 anos, a lidar com o dinheiro. Nas visitas ao mercado, o menino recebe a quantia e pode escolher alguns produtos, observa os preços, compara opções e, quando percebe que algo custa caro demais, às vezes desiste da compra e procura uma alternativa. "Ele vai olhando os preços, escolhendo o que quer comprar. E, quando vê alguma coisa muito cara, às vezes ele mesmo desiste, procura outra opção", conta Silas.

A experiência chamou a atenção nas redes sociais da família; segundo o pai, três publicações sobre o assunto ultrapassaram 10 milhões de visualizações cada.

Em casa, o aprendizado também passa por três cofrinhos: um para gastar, outro para guardar dinheiro pensando no futuro e na realização de sonhos e um terceiro para ajudar outras pessoas.

A empreendedora e jornalista Taiana Costa incorporou a educação financeira à rotina dos filhos Lucas, de 10 anos, e do irmão, de 7. Inspirada pela própria experiência, ela começou a trabalhar aos 15 anos para juntar dinheiro e pagar a carteira de motorista aos 18. Mais tarde, desenvolveu um sistema lúdico para ensinar os meninos a administrar os próprios recursos.

O aprendizado com a mesada começou quando Lucas tinha 9 anos. Pelo método, algumas atividades podem render ganhos extras, enquanto determinadas situações geram descontos. No fim do mês, a família calcula o saldo.

O sistema também ajuda a estabelecer metas de consumo. Lucas junta dinheiro para comprar itens mais caros, como um celular ou um PlayStation 5. "Se ele ganhou R$ 100, que tal gastar R$ 90 e guardar R$ 10 para comprar o videogame lá na frente? De pouquinho em pouquinho, você traz a consciência de que é possível alcançar algo mais caro", contou Taina ao G1.

As duas famílias encontraram maneiras diferentes de introduzir o assunto desde cedo, mas surgem dúvidas: quando começar a conversa? Como explicar que nem tudo o que a criança quer pode ser comprado? E como abordar temas mais complexos, como dívidas, juros e investimentos?

Investimentos são o assunto mais difícil. Uma pesquisa da Serasa em parceria com a Opinion Box, realizada entre 31 de agosto e 15 de setembro de 2026, ouviu 1.066 pais de filhos de até 18 anos. Os investimentos são o assunto mais difícil de explicar às crianças para 28% dos entrevistados. Dívidas, juros e golpes ou fraudes financeiras aparecem na sequência, citados por 21% dos pais cada.

A relação das crianças com a tecnologia também preocupa os adultos. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 83% dos brasileiros concordam que as crianças de hoje não querem mais brincar na rua e preferem ficar no celular ou na televisão. Além disso, 82% são contra o acesso a celulares e tablets no dia a dia por crianças de até 3 anos.

No levantamento da Serasa, 32% dos pais afirmaram que os filhos já fizeram compras não autorizadas em aplicativos, jogos ou plataformas on‑line. Em 60% desses casos, os gastos foram de até R$ 100.

Para a professora doutora Arethuza Zero, fundadora da Educafinanceira, o aprendizado não precisa começar com números ou conceitos complexos. Ele pode surgir quando a criança começa a demonstrar seus primeiros desejos de consumo.

Arethuza Zero explica que a conversa começa antes mesmo de a criança nascer, quando os pais decidem ter um filho e fazem escolhas sobre o quarto, o enxoval e tantas outras coisas. Mas, na prática, o momento de introduzir a educação financeira chega quando a criança começa a manifestar desejos, dizendo “quero” ou “compra”. Não vamos falar de juros com uma criança de 3 anos, mas podemos perguntar por que ela quer determinado brinquedo, se realmente precisa dele ou se já tem outro parecido. Educação financeira não é apenas falar de números: é ensinar a fazer escolhas.

Quando a criança pergunta por que não pode comprar tudo, a orienta‑ção não é simplesmente dizer “não”. É importante contextualizar e mostrar que, para comprar alguma coisa, precisamos de dinheiro, que vem do nosso trabalho. Também é preciso tomar cuidado com a noção de que tudo pode ser adquirido sem planejamento.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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