Mensagens da Polícia Civil colocam Milton Leite no centro de investigação sobre influência do PCC no transporte de São Paulo
Mensagens obtidas pela Polícia Civil colocam o ex‑vereador e ex‑presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, no centro das investigações sobre a suposta influência do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus da capital paulista.
Os diálogos foram extraídos de celulares apreendidos ao longo de uma operação que investiga uma possível rede de lavagem de dinheiro do grupo criminoso no setor de transporte público, e revelam a preocupação dos integrantes quanto ao eventual envolvimento do político nas apurações.
Em um dos trechos, um interlocutor afirma: “Nós vamos com entendimento com Levi, entendimento com cacique lá de São Paulo e ver o que que já pode ser feito.”
Em outra troca, o nome de Milton Leite é citado diretamente: “Referente ao Levi dessa SPTrans, o Lima tá indo lá. Eu acho que vai envolver Milton Leite, o pessoal tudo.”
Já em um terceiro trecho, a preocupação com o ex‑vereador se repete: “Querendo ou não, vai envolver o Milton Leite, né? O Milton Leite também, né?”
Um dos participantes ainda escreveu: “Eu acho que vai envolver Milton Leite, o pessoal todo”.
Segundo os investigadores, o elevado volume de recursos que circula no transporte coletivo poderia facilitar o escoamento de valores provenientes do tráfico de drogas, tornando as empresas de ônibus potenciais veículos para a lavagem de dinheiro.
Depoimentos prestados por policiais à Justiça Militar também foram incorporados às investigações. Um sargento da Rota relatou ter sido convidado para garantir a segurança da empresa de ônibus Transwolff, alvo de apurações do Ministério Público por suspeita de vínculo com o PCC, e apontou Milton Leite como o verdadeiro proprietário, embora tenha admitido não dispor de provas concretas.
Outro policial declarou que realizava escolta de valores para a Transwolff e para empresários ligados ao grupo, afirmando que ambos haviam sido contratados pelo capitão Alexandre Paulino Vieira, que atuou como ajudante de ordens de Milton Leite na Câmara Municipal. O capitão negou as acusações.
Na operação realizada nesta semana, mandados foram cumpridos em endereços vinculados ao ex‑presidente da Câmara. Inicialmente, Milton Leite não foi localizado; mais de 30 horas após o início da ação, ele se apresentou à polícia e, em depoimento, negou qualquer irregularidade ou participação na empresa, afirmando: “Só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum, nada devo.”
A defesa do ex‑vereador declarou que ele não é proprietário de empresa de ônibus e que nunca participou da gestão da Transwolff. A própria empresa afirmou que Milton Leite jamais teve participação societária nem influência sobre suas operações.
A Prefeitura de São Paulo informou que o transporte público não foi afetado pela operação e que irá analisar contratos e vínculos das empresas investigadas, podendo adotar medidas caso sejam constatadas irregularidades.
A investigação permanece em curso.
GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico. O podcast “Isso É Fantástico” está disponível no G1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo reportagens, investigações e histórias com o selo de jornalismo do Fantástico, com episódios novos todo domingo e notícias diárias de segunda a sábado.
Com informacoes de G1.

