Marinheiro que saltou do porta-aviões USS Abraham Lincoln após 255 dias de serviço é dispensado sob acusação de simular crise de saúde mental
O marinheiro Nicholas McKelvey, de 19 anos, foi oficialmente dispensado pela Marinha dos Estados Unidos depois de ser acusado de simular uma crise de saúde mental para encerrar seu período de serviço a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln.
McKelvey passou 255 dias a bordo do Lincoln, período durante o qual perdeu o nascimento da filha e relatou estar exausto e sob forte pressão psicológica. Ele ingressou na Marinha em 2024 buscando um emprego estável e bem remunerado para sustentar sua família.
Segundo sua esposa, Samantha Larry, a dispensa foi feita sob os termos de “baixa geral sob condições honrosas”, o que implica a perda do direito ao auxílio educacional que a família contava para financiar a faculdade de McKelvey.
O USS Abraham Lincoln retornou a San Diego neste mês após quase 322 dias de missão no Golfo Pérsico, tornando-se símbolo da escassez de alimentos e dos desafios de saúde mental enfrentados pelas tripulações depois que o Irã destruiu um importante centro de abastecimento na região.
Em carta enviada pela Marinha a legisladores no mês passado, foram relatadas oito tentativas de suicídio durante o longo período de serviço a bordo do Lincoln. Embora o documento não mencione o nome de McKelvey, a descrição de um marinheiro que “caiu ao mar do navio” corresponde ao relato do salto.
A esposa de McKelvey, Samantha Larry, de 19 anos, afirmou que a Marinha prefere proteger sua imagem ao invés de assumir responsabilidade pelos incidentes a bordo, dizendo que “eles não querem assumir a responsabilidade pelo que aconteceu com ele, nem com os outros marinheiros no barco”.
Um porta‑voz da Marinha respondeu que os porta‑aviões contam com uma equipe multidisciplinar de recursos de saúde mental, cujos especialistas coordenam e fornecem atendimento adaptado a uma ampla gama de condições.
Rachel VanLandingham, ex‑advogada da Força Aérea e professora da Faculdade de Direito Southwestern, comentou que “há comandantes dispostos a punir pessoas que tomam medidas que colocam suas próprias vidas em risco em um momento de extremo trauma mental, mas o que realmente se precisa é tratamento, não punição”.
Após a dispensa, McKelvey e sua esposa têm se hospedado em imóveis alugados via Airbnb e com parentes em San Diego, enquanto se preparam para retornar à cidade natal, Jacksonville, na Flórida, acompanhados dos dois filhos – um menino de 3 anos e uma menina de 8 meses. Larry alertou que precisarão recorrer a empréstimos estudantis, o que “basicamente nos colocará em uma situação de endividamento”.
O casal se conheceu no ensino fundamental, teve o primeiro filho quando Samantha tinha 15 anos e Nicholas 16, abandonaram o ensino médio e se casaram no ano passado.
No final de novembro de 2025, uma semana antes do 19º aniversário de McKelvey, o porta‑aviões Lincoln partiu de San Diego para um deslocamento que culminaria na situação descrita.
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Com informacoes de O GLOBO.

