Mais de 100 “duendes vermelhos” e um meteoro iluminam o céu gaúcho em madrugada extraordinária

Por Theodoro Augusto Martins em Rio Verde, GO 02/10/2026 10:00
Mais de 100 “duendes vermelhos” e um meteoro iluminam o céu gaúcho em madrugada extraordinária

Foto: via Olhar Digital

Depois de ficar quatro dias sem funcionamento devido a tempestades intensas que provocaram falhas nas redes elétrica e de internet, o observatório do Instituto Federal Farroupilha (IFFar) em Santo Ângelo (RS) voltou a operar e encontrou um fenômeno impressionante.

Na madrugada do último domingo, dia 27, entre 01h e 06h (horário de Brasília), a estação registrou aproximadamente 110 descargas elétricas conhecidas como sprites, termo que traduzido significa “duendes vermelhos”. Esse tipo de descarga é incomum de ser observado da superfície e já havia sido capturado apenas algumas vezes a partir da Estação Espacial Internacional (ISS).

O volume de registros e a riqueza de detalhes deixaram os pesquisadores surpresos, configurando um dos maiores conjuntos de sprites já documentados em um único evento.

Um registro semelhante, com mais de 110 sprites, foi obtido pelo Observatório Bate‑Papo Astronômico em Santa Maria (RS) na madrugada de 10 de setembro de 2026, que também incluiu a captura de um meteoro na sequência. pic.twitter.com/zHAvQgRVzy

Os sprites se manifestam na mesosfera, camada da alta atmosfera situada entre 50 km e 90 km de altitude, muito acima de tempestades severas, e se deslocam em altíssima velocidade. Suas formas luminosas podem lembrar árvores gigantes, colunas brilhantes ou raízes. Embora frequentemente apresentem coloração avermelhada, os registros foram feitos por uma câmera monocromática para garantir maior sensibilidade, explicou o astrônomo amador e divulgador científico Fabricio Colvero, idealizador do Bate‑Papo Astronômico e operador da estação de monitoramento.

Colvero ressaltou a dificuldade de fotografar esse fenômeno a partir do solo de forma tão clara. O céu sobre o observatório precisa estar limpo, enquanto a tempestade deve permanecer suficientemente distante e abaixo do horizonte, de modo que seus relâmpagos fiquem ocultos para a câmera, permitindo registrar apenas o brilho que ocorre acima das nuvens. Além disso, os sprites duram apenas alguns milissegundos, exigindo câmeras capazes de realizar registros extremamente rápidos.

Com o céu permanecendo limpo, a mesma câmera conseguiu captar um meteoro cortando o céu logo após a sequência de sprites, na mesma região, produzindo uma composição visual que mostra tanto as descargas quanto o meteoro.

Segundo Colvero, o registro desses fenômenos é importante para o estudo das interações elétricas entre tempestades e a alta atmosfera, ajudando a compreender melhor os chamados Eventos Luminosos Transitórios (TLEs), nomenclatura oficial dos sprites.

A estação de Santo Ângelo integra a Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon) e funciona de maneira inteiramente remota. Toda a estrutura faz parte de um projeto de extensão mantido pelo IFFar em parceria com o Bate‑Papo Astronômico, iniciativa voltada para promover o ensino de ciência e tecnologia de forma simples e acessível para a sociedade.

Ocorrências desse tipo foram relatadas por pilotos por décadas, mas o fenômeno só foi registrado pela primeira vez em julho de 1989, e ainda não costuma ser observável da superfície. Como os relâmpagos tradicionais, os “duendes vermelhos” surgem após um acúmulo de carga elétrica dentro das nuvens, e a cor vermelha se forma quando a descarga encontra nitrogênio na atmosfera.

A NASA tem trabalhado nos últimos anos no projeto de ciência cidadã “Spritacular”, que solicita ao público contribuições com imagens de avistamentos de TLEs para fornecer à comunidade científica dados que possam ser usados para investigar o fenômeno. O programa também conta com capturas orbitais feitas por astronautas a bordo da ISS, que utilizam a fotografia como atividade criativa.

Exemplos recentes incluem um sprite fotografado por Matthew Dominick, da NASA, em junho de 2024, seis meses depois de um registro semelhante feito por Andreas Mogensen, da Agência Espacial Europeia (ESA). Mais recentemente, Nichole Ayers, também da NASA, capturou um red sprite enquanto o laboratório orbital sobrevoava México e os Estados Unidos.

Este acontecimento reforça a crescente relevância da pesquisa atmosférica, tema que já abordamos em nossa cobertura sobre a IA como aliada no combate às mudanças climáticas, demonstrando como a observação científica continua ampliando nosso conhecimento.

Com informacoes de Olhar Digital.

Theodoro Augusto Martins

Sobre o Autor: Theodoro Augusto Martins

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