Lula pode virar o jogo no segundo turno? O que revelam as primeiras pesquisas eleitorais
Em eleições presidenciais, a primeira pesquisa do segundo turno funciona como uma fotografia do momento em que a disputa recomeça, sem os candidatos eliminados na primeira fase, e não como uma sentença definitiva sobre o desfecho nas urnas.
Um exemplo histórico marcante ocorreu em 2014, quando Aécio Neves (PSDB) ficou atrás de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno, mas passou à liderança nas primeiras sondagens da nova etapa da campanha.
No pleito de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva encerrou o primeiro turno em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro, e as primeiras pesquisas mantêm o adversário numericamente à frente, levantando a questão sobre a possibilidade de reversão.
Em 5 de outubro de 2014, Dilma conquistou 41,59 % dos votos válidos, enquanto Aécio obteve 33,55 %, resultando em diferença de 8,04 pontos percentuais. Cinco dias depois, a primeira pesquisa Datafolha do segundo turno registrou Aécio com 51 % das intenções de voto válidas e Dilma com 49 %, dentro da margem de erro e configurando empate técnico. No resultado final, Dilma venceu com 51,64 % dos votos válidos contra 48,36 % de Aécio.
Para 2026, a comparação exige cautela, pois Flávio Bolsonaro não só liderou o primeiro turno, como as primeiras pesquisas também apontam vantagem ao candidato do PL, ao contrário da inversão observada em 2014.
No primeiro turno de 2026, Flávio obteve 47,03 % dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16 %, gerando vantagem de 1,87 ponto percentual. A primeira pesquisa Datafolha do segundo turno, divulgada em 8 de outubro, mostrou Flávio com 52 % das intenções de voto válidas e Lula com 48 %, ampliando a vantagem numérica para quatro pontos.
A primeira variável a considerar é a transferência dos votos dos candidatos derrotados; o eleitorado que apoiou outras candidaturas não se comporta como um bloco único, havendo possibilidades de migração para Lula, para Flávio ou de voto em branco, anulação ou abstenção.
A segunda variável refere‑se à participação eleitoral: intenção de voto não se converte automaticamente em voto efetivo, tornando a mobilização da base e a captação de novos eleitores fatores cruciais para ambas as campanhas.
Uma terceira variável envolve a avaliação do governo e a percepção da economia; indicadores econômicos positivos não garantem aprovação ou intenção de voto, pois o eleitor pondera custo de vida, renda, emprego e expectativas pessoais ao decidir.
Por fim, a dinâmica da campanha pode alterar preferências por meio de debates, propaganda eleitoral, alianças e acontecimentos políticos; maior exposição não equivale necessariamente a conversão de apoio.
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Com informacoes de O GLOBO.

