Lula afirma que ministro André Mendonça usou cargo para fazer política e defende divulgação de dados de celular de Daniel Vorcaro

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 17/09/2026 18:35
Lula afirma que ministro André Mendonça usou cargo para fazer política e defende divulgação de dados de celular de Daniel Vorcaro

Foto: de BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta‑feira (17) que o ministro André Mendonça, relator do chamado Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), estava "utilizando o cargo dele para fazer política" e defendeu que as informações extraídas do celular do ex‑banqueiro Daniel Vorcaro sejam divulgadas "para o povo saber a verdade".

Lula fez a afirmação durante entrevista à rádio Itatiaia, ao comentar os desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master. O ministro André Mendonça assumiu a relatoria do caso em fevereiro deste ano, após o ministro Dias Toffoli deixar a condução das investigações.

A Polícia Federal informou nesta segunda‑feira (14) que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido de Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, todos do STF. O aparelho foi apreendido em novembro, durante a Operação Compliance Zero, e continha mensagens citadas no relatório usado por Mendonça para solicitar investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo Lula, "aquele famoso telefone secreto que parecia que estava em outro planeta na mão do André Mendonça, só ele sabia da notícia e ia vazando, agora está na mão do Gilmar [Mendes], está na mão do Flávio Dino, está na mão do Zanin, está na mão de outros ministros da Suprema Corte. Agora é começar a vazar o que precisa vazar de verdade para o povo saber a verdade".

O relatório da Polícia Federal encontrou 52 mensagens enviadas por Vorcaro com Alexandre de Moraes como destinatário. Em resposta, o presidente afirmou que os casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam ser analisados conjuntamente pela Corte, dizendo: "Se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia. Vamos saber se telefonema é verdade, se [Luiz] Fux está envolvido, se [André] Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE está envolvido. O que não pode é julgar uma pessoa antes das eleições e o restante depois. Todo mundo agora já tem material, é só tornar público".

Lula acrescentou que a Suprema Corte "tem que ser respeitada" e que os fatos sob apuração devem ser esclarecidos de forma transparente.

Na mesma quinta‑feira, o ministro Flávio Dino afirmou ter identificado indícios de ligação do ex‑banqueiro Daniel Vorcaro com uma nova concessionária de cemitérios e determinou o envio das informações à Polícia Federal para aprofundamento das investigações. Ainda no dia, a PF intimou Vorcaro e seu pai para prestar depoimento.

André Mendonça manifestou‑se publicamente, afirmando que não tem "nada a temer", que já esperava sofrer represálias e negou ter cometido irregularidades ou agido por motivação política.

Em meio à crise no Supremo, o presidente em exercício da Corte, ministro Edson Fachin, cancelou uma sessão do tribunal e adiou o julgamento relacionado a Mendonça, decisão que já havia sido destacada em cobertura anterior do portal.

Lula reiterou que o tribunal já dispõe das informações necessárias para esclarecer os fatos e que todos os citados nas investigações devem receber tratamento semelhante, afirmando: "Suprema Corte tem que ser respeitada. Se não tiver respeito, fica difícil acreditar que é a guardiã da Constituição. É a única instância da qual não se pode recorrer. Por isso, é importante que seja mais séria que o restante da sociedade".

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.