Lua cheia eleva risco de ataques de tubarão, aponta estudo global
Neste sábado (26) a Lua atinge a fase cheia e, além das lendas que a cercam, a ciência aponta um risco concreto para quem entra na água: o aumento dos ataques de tubarão.
Um levantamento internacional realizado por pesquisadores da Universidade Estadual da Louisiana (LSU), nos Estados Unidos, e publicado em 2021 na revista Frontiers in Marine Science, analisou dados coletados ao longo de 55 anos pelo Arquivo Internacional de Ataques de Tubarão. O estudo identificou uma tendência clara: os registros de incidentes envolvendo banhistas e surfistas sobem nas fases de maior iluminação lunar e diminuem quando a noite está mais escura.
A explicação exata dessa correlação ainda escapa aos cientistas. Embora a maioria dos ataques ocorra durante o dia, a luz noturna, por si só, não justifica o fenômeno. Os especialistas sugerem que as variações provocadas pela atração gravitacional da Lua sobre as marés e as correntes marítimas possam influenciar o comportamento dos animais.
Uma revisão internacional publicada em 2025 na revista Global Ecology and Conservation indica que essa influência não é uniforme em todo o planeta. Em praias da Califórnia, nos EUA, por exemplo, os pesquisadores não encontraram uma ligação clara entre as fases da Lua e as mordidas. Para eles, o cenário depende de fatores locais, como a visibilidade da água, a temperatura e a quantidade de banhistas. O consenso aponta que a correlação estatística é interessante, mas não comprova causa e efeito.
Além disso, o tubarão-fantasma apresenta um dente na cabeça que é utilizado durante o acasalamento.
Estudos recentes sugerem que mordidas de tubarão podem tornar-se menos ‘ameaçadoras’, o que gera novos desafios para a conservação.
Um vídeo divulgado recentemente mostra tubarões usando arraias de forma inusitada, ampliando o debate sobre o comportamento desses predadores.
No contexto nacional, Pernambuco lidera o histórico de incidentes com tubarões no Brasil. Desde o início do monitoramento pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT), em 1992, o estado contabiliza 77 ocorrências oficiais. A maior parte dos casos está concentrada na Região Metropolitana do Recife, especialmente nas praias de Boa Viagem e Piedade. A taxa de mortalidade no estado ronda 30%, patamar considerado elevado quando comparado aos parâmetros globais.
Embora a costa pernambucana não registre novos ataques desde março de 2023, o alerta permanece ativo. As autoridades locais mantêm as estratégias de prevenção, reforçando a sinalização na orla, substituindo placas de aviso e orientando continuamente sobre os trechos onde o banho de mar e o surfe são proibidos.
Portanto, quem mora ou pretende aproveitar a primeira semana da primavera no litoral, sobretudo em áreas historicamente mais vulneráveis como a costa de Pernambuco, deve redobrar a atenção. Para a ciência, a relação entre a Lua e o comportamento dos tubarões constitui um campo intrigante de estudo; para quem está na água, trata‑se de um alerta importante de segurança.
Com informacoes de Olhar Digital.

