Lobista organizou viagem de R$ 1,8 milhão para filho de Lula e família ver aurora boreal, aponta PF
Um inquérito sigiloso, sob relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, traz à tona a suspeita de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente Lula, Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, que teria atuado em favor da fábrica de fertilizantes Unigel e de empresa ligada ao chamado Careca do INSS, Antonio Carlos Camilo Antunes.
Roberta Luchsinger, que se apresenta como “especialista de destinos turísticos de alto luxo” e “consultora de viagens”, organizou a viagem por meio da agência TTW, onde atua Marina Mantega, filha do ex‑ministro Guido Mantega. Diálogos de WhatsApp comprovam que, em outubro de 2024, Luchsinger pagou à TTW um sinal de R$ 339.000 para fechar o contrato.
O roteiro incluía passagens pela Suécia, Finlândia e Suíça, com objetivo de observar a aurora boreal e aproveitar atividades de ski. Na Suíça, Lulinha, sua esposa Renata Abreu Moreira e familiares foram hospedados no hotel de luxo HUUS Gstaad, com serviço de chef e mordomo, e desfrutaram de seis dias consecutivos de ski nos Alpes.
Além do valor inicial de R$ 1,8 milhão, a viagem gerou custos adicionais: a TTW fretou um jatinho para transportar o grupo da Suíça a Estocolmo, na Suécia, ao custo de R$ 220.800. Somando‑se esses gastos, o total ultrapassa os R$ 2 milhões, valor que só foi conhecido após a publicação da denúncia pelo portal Metrópoles em março passado.
Fotos obtidas pela Polícia Federal mostram Lulinha e Renata Abreu Moreira sorrindo em cenário suíço em janeiro de 2025, confirmando a presença da família no país durante o período descrito.
A defesa de Fábio Luís da Silva, representada por advogado ainda não identificado, afirmou que o acusado “não cometeu nenhum crime e esclarecerá, nos autos e perante as autoridades competentes, qualquer fato que possa estar sob apuração”. O advogado de Roberta Luchsinger, Roberto Podval, não retornou ao contato da reportagem.
Nas conversas de WhatsApp, Luchsinger chegou a classificar a esposa de Lulinha como “irmã de alma” e ambos se referiam mutuamente como “muso” e “musa”, evidenciando a proximidade pessoal entre os envolvidos.
Além da suspeita ligada à Unigel, a Polícia Federal investiga também a atuação de Luchsinger e Lulinha em favor de empresa de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecida como Careca do INSS, que atuava no setor de canabidiol junto ao Ministério da Saúde, antes das fraudes do INSS serem reveladas em 2025.
Com informacoes de O GLOBO.

