Lagarta Helicoverpa armigera pode ser solução para o descarte de isopor nas grandes cidades

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 08/10/2026 13:20
Lagarta Helicoverpa armigera pode ser solução para o descarte de isopor nas grandes cidades

Foto: via G1

O isopor, material plástico expandido composto por 98% de ar e apenas 2% de matéria‑prima, tornou‑se um dos produtos mais utilizados na indústria e no varejo devido à sua leveza, eficiência como isolante térmico, capacidade de amortecer impactos, resistência à umidade e baixo custo.

No entanto, a reciclagem desse material apresenta desafios: ocupa considerável espaço, depende de investimento em maquinário específico e em mão‑de‑obra especializada, e ainda devolve à indústria uma quantidade reduzida de matéria‑prima reutilizável.

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) descobriram que a lagarta Helicoverpa armigera, conhecida no meio rural como “terror do agronegócio” e combatida com defensivos agrícolas, pode contribuir para a solução desse problema ambiental. No laboratório da UFSCar, a espécie foi alimentada com dieta especial e observou‑se que, ao ser mantida em potes plásticos, a lagarta era capaz de roer tanto o pote quanto a tampa, escapando em seguida.

Ao analisar o intestino da lagarta, os cientistas identificaram fungos com potencial para degradar o polímero do isopor. “Quando guardava essas lagartas em potes plásticos, ela era capaz de roer o pote, a tampa, e fugir. Então, a partir daquele momento, a gente viu que a gente poderia estudar a Helicoverpa armigera como degradadora de isopor”, explicou Flavio Henrique Silva, professor do Departamento de Genética e Evolução da UFSCar.

Silva ressaltou que, até o momento, os experimentos são realizados em escala laboratorial e pequena, mas os resultados são promissores. “No futuro, a gente ter uma degradação que, mesmo se não for completa, que transforme aquele polímero em uma molécula que possa ser reaproveitada. Tudo o que a gente faz é em escala laboratorial, escala pequena. Mas a intenção é, claro, aumentar essa escala. A gente observa fenômenos naturais que ocorrem para tentar aplicar depois na prática”, afirmou.

A engenheira técnica Carla Castilho, da área técnica da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, destacou que não faltará espaço para as lagartas nas cooperativas de reciclagem. “Algum isopor que não possa ir para o maquinário, ou que não tenha tanto valor para a cooperativa, talvez a gente possa destinar para as lagartas”, declarou.

Embora ainda se trate de pesquisa em fase experimental, a descoberta abre caminho para uma alternativa que poderia complementar ou substituir o modelo tradicional de reciclagem de isopor, reduzindo a necessidade de infraestrutura especializada e ampliando o aproveitamento do material nas grandes cidades.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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