Kátia Abreu critica comando da campanha de Lula e pede menos Janja e mais Alckmin em reunião do PT
Kátia Abreu, que se filiou ao PT ainda este ano após passagens pelo DEM, PP e MDB, participou de uma reunião do partido na sede em Brasília, onde manifestou que a condução da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva está nas mãos de “paulistas sem voto”.
A ex‑ministra, que foi deputada ruralista, presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e atuou como ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff, aproveitou a fala para criticar a estratégia de comunicação adotada no primeiro turno, alegando que ela teria favorecido a liderança de Flávio Bolsonaro (PL), que atualmente encabeça as pesquisas.
Abreu destacou que só abordou a participação de Janja na campanha porque, “só entra no tema por ser mulher”, e considerou um erro a primeira‑dama cantar música gospel – citada como “Tapete Vermelho” – nos comícios de Lula, afirmando que tal gesto pode ser visto como apropriação da fé e não atrai o público evangélico.
Além disso, a ex‑ministra defendeu que o vice‑presidente Geraldo Alckmin deveria ter uma participação maior na campanha, pedindo “menos Janja e mais Alckmin”.
Os comentários de Kátia Abreu foram recebidos com forte aplauso por cerca de cem participantes presentes no auditório, entre membros da executiva nacional do PT, deputados e coordenadores estaduais da campanha.
O encontro também trouxe à tona críticas ao coordenador‑geral da campanha, Edinho Silva, eleito deputado federal por São Paulo, que foi acusado de escolher agendas estaduais inadequadas e de concentrar o comando da campanha. Outros dirigentes apontaram que a comunicação deveria focar no futuro, ao invés de ressaltar o legado de Lula, e sugeriram que o candidato visitasse regiões onde o bolsonarismo tem forte presença, como o Centro‑Oeste e o Sul de Minas.
Durante a reunião, o presidente do PT saiu do auditório por alguns minutos, o que interrompeu momentaneamente as falas; os presentes aguardaram seu retorno para que ele ouvisse as demandas internas.
Em paralelo, foi mencionado que Camilo Santana poderia ser incluído na coordenação‑geral da campanha, reduzindo o poder de Edinho Silva, como parte de uma suposta mudança de comando.
Ao final, Malu Gaspar comentou que a mudança na campanha seria resposta a um “motim” nas redes sociais, enquanto Edinho Silva afirmou que a reunião serviu para alinhar a estratégia para o segundo turno, destacando que a comunicação passará a confrontar diretamente os dois projetos em disputa, ao contrário do primeiro turno, que contou com múltiplos candidatos.
Com informacoes de O GLOBO.

