Jovem grava ataque ao World Trade Center em 2001 e entrega filmagem ao Memorial 25 anos depois
Nguyen‑Brophy chegou aos Estados Unidos como refugiada do Vietnã em 1980, mudou‑se para Nova Iorque três anos antes do atentado e trabalhou temporariamente em escritórios enquanto, à noite, atuava como dançarina go‑go em bares gays do centro de Manhattan.
Para registrar suas aventuras na vida noturna, comprou uma pequena câmera de vídeo digital JVC, que utilizava para gravar festas e conversas com amigos.
Na manhã de 11 de setembro de 2001, do sofá do seu apartamento no segundo andar de Chinatown, viu uma multidão se reunir na rua abaixo, voltada para o oeste, em direção ao World Trade Center, onde a torre norte já estava envolta em densa fumaça preta.
Instintivamente, pegou a câmera JVC, saiu pela janela até a escada de incêndio e começou a filmar, aproximando‑se e afastando‑se das torres, ajustando foco e ângulo, alternando entre o prédio em chamas e os espectadores na calçada.
O registro durou exatamente sete minutos e quatro segundos, tempo suficiente para captar o momento em que o voo 175 da United Airlines atingiu a torre sul.
Três meses após o ataque, Nguyen‑Brophy deixou Nova Iorque; os trabalhos em escritórios e os bicos nos clubes desapareceram, e a visão dos rostos de pessoas desaparecidas em cartazes foi demais para ela.
Em seguida, mudou‑se para Los Angeles, onde reconstruiu a vida que tinha em Nova Iorque, trabalhando temporariamente para empresas de entretenimento e dançando em bares gays, permanecendo na Califórnia até a pandemia de coronavírus.
Ela não assistiu às imagens por mais de duas décadas, guardando a fita em um pequeno cofre junto com o passaporte e outros documentos, temendo que o material contivesse cenas de homens e mulheres que haviam pulado dos edifícios em chamas.
Em 2022, enquanto desfazia as malas após outra mudança, desta vez para New Orleans, leu que fitas MiniDisc podem se deteriorar com o tempo e decidiu fazer algo com o vídeo.
No ano passado, doou a fita física e a licença para exibição ao Memorial e Museu do 11 de Setembro, que coleta ativamente fotografias e vídeos relacionados aos ataques; a análise dos metadados confirmou a gravação em 11 de setembro de 2001.
Dylan Williams, curador associado do museu, destacou que o vídeo amador é um artefato visual de uma época anterior ao uso generalizado de câmeras de alta resolução nos bolsos, ressaltando sua raridade e o valor de “dar vida a um momento no tempo”.
No site do museu, o vídeo pode ser assistido em velocidades de 0.5x, 1x, 1.25x, 1.5x e 2x. Hoje, Nguyen‑Brophy, com 50 anos, reflete sobre o material que guardou por tanto tempo.
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Com informacoes de O GLOBO.

