Enxurrada de investimento: indústria projeta até R$ 1,5 trilhão em data centers no Brasil

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 08/09/2026 08:20
Enxurrada de investimento: indústria projeta até R$ 1,5 trilhão em data centers no Brasil

Foto: via UOL

A aprovação dos incentivos fiscais para a instalação de data centers, conhecida como Redata, fez a indústria projetar investimentos que podem alcançar R$ 1,5 trilhão para a construção de novas infraestruturas no país.

Luiz Tossi, vice‑presidente da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), afirmou que a onda de investimentos não ocorrerá nas próximas semanas, mas nos próximos meses, destacando que nos últimos quatro meses já surgiram diversos anúncios de operadores de data center com projetos contratados.

Em âmbito global, grandes somas de recursos estão sendo direcionadas a galpões de grande porte, máquinas de alta potência e sistemas de inteligência artificial e computação em nuvem. Segundo a avaliação da indústria, parte desse fluxo financeiro já chegaria ao Brasil, mas a redução de custos dos equipamentos torna o país mais competitivo para atrair novos players.

Eduardo Sodero, CEO da Takoda Data Centers, descreveu a oportunidade como “a maior de investimento em infraestrutura da nossa geração”.

A capacidade instalada dos data centers brasileiros é estimada em 1 GW, enquanto os Estados Unidos, líder incontestável no segmento, contabilizam cerca de 55 GW.

Sem o Redata, o setor previa a adição de 2 GW ao parque nacional; o mercado já havia incorporado o regime em seus cálculos e retomado investimentos para atender ao crescimento vegetativo da nuvem no país, explicou Tossi.

Apesar de representar menos de 1 % da capacidade mundial de data centers, o Brasil responde por aproximadamente 2 % do PIB global e 3 % da população mundial, indicando um desequilíbrio significativo.

Com a aprovação dos incentivos no Congresso Nacional, a projeção é que o Brasil atinja 5 GW entre 18 e 30 meses; “Agora, entramos novamente no jogo para atrair os data centers de IA”, resumiu Sodero.

Os custos estimados são de US$ 1 bilhão para a construção de cada 100 MW e entre US$ 4 bilhões e US$ 7 bilhões para a aquisição de equipamentos como GPUs, memória, fibra óptica e outros sistemas. A expansão prevista de 4 GW implica investimentos que variam de R$ 1 trilhão a R$ 1,5 trilhão.

Essas projeções são semelhantes às realizadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e foram solicitadas pelas empresas Scala Data Centers e Norgás.

O Redata foi inicialmente proposto como Medida Provisória pelo governo Lula em 2025 e apresentado a grandes empresas de tecnologia durante a visita do ex‑ministro da Fazenda Fernando Haddad ao Vale do Silício; contudo, o texto perdeu validade por não ser apreciado a tempo pelos parlamentares.

Em fevereiro deste ano, o deputado José Guimarães (PT‑CE) apresentou um projeto de lei para recriar os benefícios e outro para garantir espaço fiscal. O primeiro avançou na Câmara dos Deputados, enquanto o Senado aprovou regime de urgência para votação direta, mas permaneceu estagnado por vários meses.

Tossi reconheceu a pressão das empresas, mas destacou que o entendimento entre o Executivo e o Senado foi decisivo; a retomada do diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União‑AP), ocorrida em agosto, destravou o Redata e outras pautas, como as PECs da Segurança e da escala 6x1.

O governo federal enfatizou a soberania nacional no campo tecnológico, ao anunciar R$ 2,1 bilhões para a aquisição de dois supercomputadores destinados ao desenvolvimento de IA; o desconto tributário para data centers foi incluído como complemento e aguarda sanção presidencial.

Um último contratempo foi relatado pelo deputado Isnaldo Bulhões (MDB‑AL), que apontou que, em 2026, o projeto que garantia isenção de impostos aos data centers quase foi aprovado sem a isenção, substituindo os descontos por benefícios a resseguradoras e a municípios de até 65 mil habitantes. A proposta original foi restabelecida por meio de emenda do PDT quando o texto já estava em debate no plenário, pouco antes da aprovação pela Câmara.

O Brasil se destaca pela abundância de energia renovável, mas os hyperscalers costumavam considerar o país pouco competitivo em termos de custos operacionais. “Quando analisamos todos os custos para operar um data center, o Brasil não era competitivo; por isso, buscavam minimizar investimentos aqui e transferir processamento para outros países. Com o Redata, esperamos uma entrada significativa de investimentos em IA”, concluiu Tossi.

Com informacoes de UOL.

Tainá Ribeiro Alves

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