Jet lag também afeta aves: viagens longas desregulam o relógio biológico, aponta estudo

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 31/10/2026 14:30
Jet lag também afeta aves: viagens longas desregulam o relógio biológico, aponta estudo

Foto: via Olhar Digital

Aves enfrentam algo parecido com o jet lag humano, segundo um estudo liderado pela Universidade de Oxford publicado nesta semana na revista Science. Ao cruzarem grandes distâncias no Oceano Atlântico em alta velocidade, o relógio biológico desses animais entra em descompasso com a hora solar local.

Para navegar usando o sol como bússola, as aves dependem de um relógio biológico preciso, ajustado diariamente ao amanhecer, que lhes permite interpretar corretamente a posição do astro ao longo do dia. Quando viajam no sentido leste ou oeste, cruzando linhas de longitude, equivalentes aos fusos horários, a hora interna do animal fica dessincronizada do horário solar do local onde está, podendo atrasar em até uma hora.

A descoberta foi feita a partir da análise de 20 anos de dados de rastreamento por GPS de 1.045 espécimes da ave marinha bobo-pequeno (Puffinus puffinus), que faz ninho em ilhas do Reino Unido e da Irlanda. A equipe acompanhou 3.688 viagens em busca de alimento, nas quais as aves percorrem com frequência até mil quilômetros para o oeste antes de voltar aos seus ninhos.

Ao retornarem para o leste, onde o sol nasce mais cedo, as aves cometiam um desvio sistemático no sentido horário em relação à rota esperada, constataram os pesquisadores. A dependência do sistema de navegação pelo sol foi tão forte que os animais mantiveram esses desvios mesmo quando voavam ao longo da linha da costa, onde marcos geográficos visíveis poderiam servir de guia.

No caso dos adultos estudados, o impacto prático foi pequeno: um desvio médio de sete graus acrescentou cerca de cinco quilômetros a um trajeto de mil quilômetros. Os cientistas, porém, alertam que o efeito pode ser crítico para aves jovens em sua primeira migração, nas quais erros de bússola não corrigidos a tempo podem desviar o destino final por centenas de quilômetros.

"Nossos resultados mostram que os animais vivenciam o mesmo descompasso no relógio interno que nós experimentamos durante o jet lag", disse o pesquisador principal do estudo, Patrick Lewin, em comunicado. "O próximo passo é entender como isso os afeta. Será que eles têm comportamentos cruciais no momento inadequado? Será que apresentam efeitos colaterais fisiológicos, assim como nós? E será que esse descompasso é tão prejudicial à saúde deles quanto o jet lag é à nossa?", questionou.

O coautor do artigo, professor Tim Guilford, destacou que medir com precisão os movimentos naturais dos animais permite revelar mecanismos cognitivos e comportamentais profundos que antes eram considerados difíceis de estudar na natureza. Os cientistas acreditam que entender como essas aves lidam com viagens de longa distância pode ajudar a medicina a criar tratamentos contra os efeitos negativos do jet lag na saúde humana.

Com informacoes de Olhar Digital.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

Cosmo é o olho do MOTNAF.NEWS voltado pro infinito. De lançamentos da NASA e SpaceX a buracos negros, eclipses, missões a Marte e as descobertas que mudam nossa visão do universo, ele traduz o que rola lá em cima numa linguagem que qualquer terráqueo entende. Se aconteceu no espaço, o Cosmo já está de telescópio apontado.