Jean‑Luc Mélenchon, líder da esquerda radical, é acusado de apoiar grupos extremistas nas recentes ondas de protestos na França

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 28/10/2026 00:20
Jean‑Luc Mélenchon, líder da esquerda radical, é acusado de apoiar grupos extremistas nas recentes ondas de protestos na França

Foto: via Gazeta do Povo

A onda de protestos violentos que varreu a França colocou o líder de 75 anos da esquerda radical, Jean‑Luc Mélenchon, no centro de um confronto político com o governo do presidente Emmanuel Macron.

Fundador da La France Insoumise (LFI), um dos principais partidos da esquerda radical francesa, Mélenchon tem sua legenda acusada pelas autoridades de apoiar grupos extremistas que participaram dos confrontos com a polícia, dos saques e das depredações registrados nas manifestações do último fim de semana.

Na terça‑feira, dia 20, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou na Assembleia Nacional que a La France Insoumise tem responsabilidade política pela violência observada nas mobilizações em todo o país, acusando integrantes da extrema esquerda de manter vínculos com grupos radicais que atuam nos protestos.

“Vocês jogaram mais lenha na fogueira. Portanto, têm uma parcela de responsabilidade pelos graves incidentes ocorridos”, declarou Nuñez durante uma discussão com o deputado Manuel Bompard, um dos principais dirigentes do LFI.

Mélenchon rejeitou as acusações, responsabilizando o governo Macron pela escalada da violência e pelos confrontos. O político afirmou que os integrantes de seu partido não participam de saques e destruições, mas criticou duramente a atuação da polícia na tentativa de conter a violência.

A acusação surge em um momento importante para Mélenchon. Candidato à presidência nas eleições de 2012, 2017 e 2022, ele anunciou em maio deste ano que disputará novamente o Palácio do Eliseu em 2027, quando termina o segundo mandato de Macron. Contudo, nas pesquisas ele ainda aparece atrás da líder de direita Marine Le Pen e dos candidatos de centro e centro‑esquerda.

Nascido em 19 agosto 1951, em Tânger, Marrocos, Mélenchon iniciou sua militância política ainda jovem. Na década de 1970 participou de uma organização trotskista e, em 1977, ingressou no Partido Socialista francês, onde permaneceu por mais de 30 anos.

Sua carreira ganhou projeção em 1986, quando foi eleito senador. Entre 2000 e 2002, ocupou o cargo de ministro do Ensino Profissional no governo do primeiro‑ministro socialista Lionel Jospin, período em que a França era presidida por Jacques Chirac, de centro‑direita, mas o sistema permitia que o governo fosse comandado por um primeiro‑ministro de outro partido devido à maioria parlamentar socialista.

Mélenchon também exerceu mandatos no Parlamento Europeu e na Assembleia Nacional da França. A ruptura com os socialistas ocorreu em 2008, quando acusou o partido de ter “abandonado” suas bandeiras tradicionais para adotar posições mais próximas do centro.

Em novembro de 2008, fundou o Partido da Esquerda ao lado do também ex‑socialista Marc Dolez. Oito anos depois, em 2016, criou a La France Insoumise, com a proposta de construir um movimento de oposição às políticas econômicas liberais e às instituições da Quinta República, defendendo o que chama de “revolução cidadã” por meio da mobilização popular e das eleições.

Na disputa presidencial de 2022, Mélenchon recebeu aproximadamente 22 % dos votos no primeiro turno, terminando em terceiro lugar, atrás de Macron e Marine Le Pen.

Em fevereiro deste ano, o Ministério do Interior enquadrou a La France Insoumise na categoria de extrema esquerda para as eleições municipais. A legenda contestou a decisão, mas o Conselho de Estado rejeitou o recurso.

As propostas de Mélenchon estão reunidas no programa “L’Avenir en commun” (O Futuro em Comum). Na economia, o LFI defende o aumento dos impostos sobre grandes fortunas, maior intervenção estatal, elevação do salário mínimo e controle de preços de produtos essenciais como alimentos, energia e combustíveis. Também propõe reduzir a idade de aposentadoria para 60 anos, reverter reformas trabalhistas recentes e ampliar investimentos em serviços públicos.

Outra bandeira é a criação de uma “Sexta República”, com mudanças constitucionais e maior participação popular nas decisões políticas.

Em relação à imigração, Mélenchon e sua legenda se opõem ao endurecimento das regras de entrada e permanência de estrangeiros, defendendo a regularização de trabalhadores sem documentos, a ampliação de direitos dos imigrantes e a revogação de medidas restritivas aprovadas nos últimos anos.

Recentemente, Mélenchon alterou sua posição sobre o uso do véu islâmico por mulheres, sinalizando uma mudança em sua postura sobre o tema.

Com informacoes de Gazeta do Povo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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