JBS (JBSS32): balanço do 3T26 deve ser fraco, mas bancos veem espaço para alta de até 41% nas ações
A JBS (JBSS32) deve apresentar resultados pressionados no terceiro trimestre de 2026 (3T26), mas a perspectiva de recuperação da carne bovina nos Estados Unidos e de melhora gradual dos resultados mantém o otimismo dos bancos com as ações da companhia. XP Investimentos e BTG Pactual reiteram recomendação de compra, com preços-alvo de R$ 104,60 e R$ 100 para os BDRs, respectivamente. Já o Itaú BBA vê potencial de valorização de 41,7% para os papéis negociados nos Estados Unidos até 2027, com recomendação outperform (equivalente a compra) e preço-alvo de US$ 18 para 2027.
O BTG Pactual projeta Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de US$ 1,28 bilhão no terceiro trimestre, queda de 30% em relação ao mesmo período de 2025, com margem de 5,5%. A pressão vem de diferentes frentes operacionais. No Brasil e na Austrália, o esgotamento das cotas chinesas de importação de carne bovina deve afetar volumes, preços realizados e margens, enquanto os custos do gado seguem elevados.
Nos Estados Unidos, a recuperação da operação de carne bovina deve ser o principal contraponto positivo, com a redução dos custos dos animais favorecendo os spreads de processamento e permitindo o retorno a margens positivas. As operações de aves e suínos, por sua vez, devem enfrentar uma normalização da rentabilidade após períodos mais favoráveis. A Pilgrim's Pride, nos Estados Unidos, tende a sofrer com a recuperação da oferta de frango, enquanto a Seara deve apresentar compressão sequencial das margens, apesar de níveis ainda saudáveis. Os analistas também monitoram a alta dos custos dos grãos para ração e os possíveis impactos do surto de doença de Newcastle no Brasil sobre as exportações.
Para o investidor, a discussão central passa a ser a velocidade com que a JBS conseguirá recuperar a rentabilidade consolidada. A XP avalia que o ciclo de revisões negativas de resultados pode ter ficado para trás, com melhora gradual das estimativas à frente, sustentada pela recuperação da carne bovina nos Estados Unidos e por uma possível retomada dos embarques brasileiros e australianos. O BTG, entretanto, alerta que a recuperação no quarto trimestre deve ser parcial, já que os ciclos de aves e suínos seguem em virada e o ciclo pecuário brasileiro começa a dar sinais de retenção de animais, o que pode elevar os custos.
O Itaú BBA estima que a JBS negocie a cerca de 6,5 vezes o valor da firma sobre o Ebitda projetado para o fim de 2027, segundo o padrão contábil US GAAP, e vê espaço tanto para a melhora da rentabilidade quanto para uma expansão do múltiplo, especialmente com o avanço da estratégia de inclusão em índices de mercado, o que acarretaria em alta das ações.
A tese de investimento, portanto, depende menos de um trimestre isolado e mais da capacidade de a JBS atravessar a fase desfavorável dos ciclos de proteínas e capturar a recuperação da carne bovina norte-americana. O balanço de novembro deve ajudar a dimensionar a pressão atual sobre os resultados e a indicar se a melhora esperada para os próximos períodos será suficiente para sustentar as projeções mais otimistas dos analistas.
Com informacoes de Seu Dinheiro.

