JBS e Grupo Viva criam joint venture de couro com 31 fábricas e 11 mil empregados
Em novembro de 2025, JBS e Grupo Viva anunciaram a intenção de combinar seus ativos de couro, gerando expectativa de uma companhia sem precedentes no segmento. Dez meses depois, na terça‑feira, 15 de setembro, as duas partes assinaram, na Holanda, o contrato que deu origem à JBS Viva, uma joint venture dividida em partes iguais.
A nova empresa conta com 31 fábricas distribuídas em seis países, capacidade para processar mais de 20 milhões de couros por ano e cerca de 11 mil empregados. A operação ainda aguarda aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A história que culminou nesse acordo remonta a duas famílias do Sul do Brasil. A Viposa nasceu em agosto de 1954, em Caçador (SC), como Indústrias Berger, focada na manipulação de couros. Após a divisão de um patrimônio familiar em 1974, Elias Seleme Neto assumiu a empresa, então com aproximadamente 300 funcionários, e a renomeou com o anagrama de “Vitório Poleto S/A”, criando o nome Viposa. Seleme, referência empresarial catarinense, faleceu em fevereiro de 2023 em Caçador, poucos meses antes da fusão com a Vancouros. Atualmente, as empresas vinculadas à sua família, atuantes em couro, calçados, madeira, pecuária, reflorestamento e construção civil, geram cerca de 1,5 mil empregos diretos em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Rondônia.
A Viposa consolidou-se como exportadora ao longo de mais de 30 anos, atendendo mercados na Europa, Ásia e Américas, e atualmente destina sete de cada dez unidades produzidas ao exterior, o que a inseriu nas cadeias de suprimento mais exigentes globalmente.
Do outro lado, a Vancouros foi fundada em 1990 em Rolândia (PR), inicialmente produzindo couro bovino wet blue. Hoje, a empresa é uma das principais fabricantes de pele bovina do país, fornecendo os setores automotivo, moveleiro, calçadista e de vestuário. Liderada por Edson Vanzella Pereira de Souza, da família Vanzella, a holding Vanz Holding figura entre as acionistas da Viva.
A proximidade geográfica dos investimentos uniu as duas companhias em 2001, quando ambas abriram uma planta em Sinop (MT). Desde então, colaboraram em seis joint ventures, incluindo duas indústrias químicas para suprir suas próprias operações de couro e, mais recentemente, uma fábrica de gelatinas.
Em setembro de 2023, Viposa e Vancouros protocolaram no Cade o pedido de fusão, criando a Viva S/A com faturamento de R$ 3,1 bilhões e capacidade de processamento de 7 milhões de unidades de couro ao ano, tornando‑se uma das maiores do segmento no Brasil. O nome “Viva” combina as duas marcas originais, conforme explicou Edson Vanzella.
A estratégia da fusão visava dobrar o faturamento nos primeiros quatro anos, abrir mais uma planta de processamento de couro e internacionalizar as operações com filiais na América Latina e na América do Norte até 2028. Contudo, o cenário econômico apresentou desafios: o preço médio do couro no Rio Grande do Sul chegou a R$ 4,47 o quilo em outubro de 2021, mas a inflação global desacelerou a recuperação esperada, deixando o setor em compasso de espera, conforme dados do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CIC).
Com informacoes de AgFeed.

