Itaú BBA aponta JBS como ação favorita até 2027 e mantém MBRF em neutro
As margens do segmento de frango podem começar a se contrair antes que a carne bovina nos Estados Unidos mostre uma contribuição mais expressiva aos resultados, criando um intervalo de risco‑oportunidade que o Itaú BBA destaca em seu mais recente relatório setorial.
Para a JBS (JBSS32), o banco mantém a recomendação de compra e projeta preço‑alvo de US$ 18 ao final de 2027, o que representaria valorização de até 54 % em relação ao último fechamento. A preferência pela ação se apoia na diversificação dos negócios, sobretudo na expectativa de que a operação de carne bovina norte‑americana recupere margem e compense a pressão sobre o frango.
No caso da MBRF (MBRF3), a recomendação permanece neutra, com preço‑alvo de R$ 23 para 2027, indicando potencial de alta de 35 %. A empresa tem maior dependência do segmento de frango, o que a deixa mais vulnerável a uma eventual deterioração das margens.
O pilar central da tese favorável à JBS é a projeção de melhora da margem EBITDA da atividade bovina nos EUA, que deve avançar cerca de 1,5 ponto percentual até 2027, levando o negócio ao ponto de equilíbrio. Entre os fatores apontados pelo Itaú BBA estão a oferta adicional de gado proveniente do México após a reabertura da fronteira, a redução de capacidade da indústria americana e a resiliência da demanda interna.
No segmento de frango, o banco estima margens EBITDA de 12,5 % para a Seara e de 7,8 % para a Pilgrim’s Pride (PPC) em 2027, ligeiramente abaixo das expectativas de mercado. Ainda assim, os analistas acreditam que a recuperação moderada da carne bovina norte‑americana terá impacto significativo no resultado consolidado da JBS, e que o preço atual da ação já incorpora o cenário operacional mais desafiador, reforçando a recomendação de compra.
Recentemente, a JBS encerrou seu capital aberto e a controladora J&F sinalizou intenção de abrir capital no Brasil, mudança que pode alterar a dinâmica para investidores em ações e debêntures na B3.
A transição entre os ciclos das proteínas traz riscos de curto prazo. Os analistas alertam que os custos de produção de frango podem subir devido à demanda por grãos, à redução de estoques frente ao consumo e aos possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre os preços agrícolas, o que pode comprimir os spreads e reduzir as margens antes que a recuperação da carne bovina se reflita nos balanços.
Quanto à MBRF, a empresa pode se beneficiar da retomada da carne bovina nos EUA por meio da National Beef, embora essa operação represente menor peso nos resultados. O Itaú BBA projeta margem EBITDA de 14 % para a BRF e de 2 % para a National Beef em 2027, ambas ligeiramente acima do consenso. O ponto crítico permanece na sustentação dos spreads do frango e na evolução dos custos de ração; uma deterioração mais rápida das margens poderia pesar sobre a performance da companhia, justificando a recomendação neutra até que haja maior clareza sobre a rentabilidade do frango.
Como já apontamos em análises anteriores sobre a carteira de dividendos do Itaú BBA, o banco continua a buscar oportunidades que combinam potencial de valorização e solidez operacional, e o cenário das proteínas não foge a essa estratégia.
Com informacoes de Seu Dinheiro.

