Isadora Brizola utiliza suposto parentesco como estratégia de campanha

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 25/10/2026 02:20
Isadora Brizola utiliza suposto parentesco como estratégia de campanha

Foto: via CartaCapital

No dia 7 de abril, um vídeo divulgado no Instagram mostrava uma jovem posicionada diante de um microfone dentro de uma câmara legislativa, com a legenda "O dever chama", marcando o lançamento de uma das primeiras peças publicitárias eleitorais de Isadora Brizola, candidata a deputada estadual pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) em São Paulo.

Filhada ao partido há pouco mais de um ano, a candidata se apresentou ao eleitorado como "sobrinha‑neta de Leonel Brizola", declarando ser socióloga especialista em Economia e aluna de doutorado em Ciências Políticas na Universidade de São Paulo. O site de campanha ainda ressaltava que uma tese estava sendo "estruturada" como parte de sua qualificação acadêmica.

A estratégia de comunicação girou integralmente em torno da imagem do líder trabalhista Leonel Brizola, que governou o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro e fundou o PDT. Isadora reproduziu poses de fotografias históricas, imitou os gestos do palanque e reivindicou para si a postura combativa e corajosa do político gaúcho, como se não existissem outros herdeiros desse legado.

Com a campanha, a candidata alcançou 72 mil votos, número que teria garantido a eleição caso o partido tivesse atingido o coeficiente eleitoral. Como o PDT não alcançou o quociente, Isadora não foi eleita.

Em pouco tempo, a jovem foi eleita membro do diretório nacional do PDT e passou a ser considerada uma das apostas de renovação do partido. Contudo, ela enfrentou críticas intensas, sobretudo de setores da esquerda, que questionaram a veracidade de seu suposto parentesco. Isadora manifestou frustração ao afirmar que os questionamentos vieram da esquerda e que exigir comprovação de suas alegações seria uma traição à luta pela democracia.

Leonel Brizola Neto, ex‑vereador carioca e neto do falecido Leonel Brizola, classificou a campanha baseada na imagem do avô como "estelionato eleitoral" e denunciou a utilização da suposta farsa pelo PDT de São Paulo.

A candidata não apresentou pedido de desculpas nem esclareceu os fatos contestados. Em vez disso, reagiu com surpresa e indignação ao ver seu próprio campo político cobrar transparência, sustentando que a urgência política deveria garantir-lhe salvo‑conduto para circular com um currículo inflado e um sobrenome de conveniência.

O caso evidencia como o PDT explorou o mito de parentesco sem comprovar sua veracidade, suscitando debates sobre os limites éticos do uso de marcas familiares nas disputas eleitorais brasileiras.

Com informacoes de CartaCapital.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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