Isabel Teixeira declara que lutou muito para fazer o que ama e fala sobre Pilar, saúde e projetos futuros
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Isabel Teixeira, de 52 anos, fala sobre o sucesso da vilã Pilar na novela "Quem Ama Cuida", a maternidade, o diagnóstico da síndrome genética Li‑Fraumeni, que aumenta muito o risco de desenvolver vários tipos de câncer ao longo da vida, e a nova relação com o próprio corpo e a saúde.
A devotada rotina de trabalho não é novidade na vida da paulistana, que alternou teatro, viagens internacionais, produção, direção, edição e escrita durante décadas. Ela admite que o cotidiano de uma novela das nove, com uma personagem que circula por muitos núcleos, é uma experiência particular.
"Para essa novela, a Amora [Mautner, diretora] e o Walcyr [Carrasco, autor] me prepararam. Ele falou que eu ia estar em vários núcleos e que isso ia acabar tendo uma imersão", recorda, já na quinta novela na Globo. Até hoje, Isabel fez papéis de destaque como Jane em "Amor de Mãe" (2019), Maria Bruaca em "Pantanal" (2022), Helena em "Elas por Elas" (2023) e Violeta em "Volta por Cima" (2024).
A preparação para a amargurada Pilar incluiu disciplina, estudo e uma ferramenta que acompanha a atriz em praticamente todos os trabalhos: os cadernos que ela mesma encaderna em sua editora, a Fora de Esquadro, que fica onde mora, em São Paulo. "Falei isso para eles [para os filhos Diego, de 22 anos, e Flora, de 15] : 'Eu vou morar dentro de uma editora. Eu sou protagonista disso aqui e vocês também'", afirma.
O sucesso de Pilar também faz Isabel refletir sobre o próprio ofício e o papel da novela na vida dos brasileiros. "A novela é uma série de acasos que não se explicam e ela tem um percurso muito dela mesma", opina, defendendo a ficção como espaço para o espectador se envolver, torcer, discordar e até xingar a vilã — desde que a fronteira entre personagem e pessoa seja preservada.
Longe da ficção, Isabel vive uma fase de reinvenção. Depois de descobrir que tem a síndrome genética de Li‑Fraumeni, que eleva consideravelmente o risco de vários tipos de câncer, passou a olhar para a saúde de outra forma, adotou mudanças de hábitos e realizou uma cirurgia preventiva nas mamas.
"A minha vaidade está um pouco aí, no check‑up anual, semestral que tenho que fazer. Está legal, está mostrando resultado e penso nisso", diz, explicando que tem "vaidade celular" e que gosta de estar com qualidade. Ela é mãe de Diego, 22, e Flora, 15.
Entre uma gravação e outra, a atriz continua pensando no que virá depois da novela. Teatro, direção, editora, viagens e dois monólogos estão no horizonte. Há ainda um projeto afetivo: percorrer pequenas cidades brasileiras e levar espetáculos a teatros históricos.
"Quero viajar para o Brasil, porque chamo de Brasil profundo, não como um Brasil escondido, o profundo no sentido poético do Brasil", planeja. Mesmo já imaginando a próxima etapa, admite que sentirá falta da rotina que a faz chegar ao set "animadaça".
"Quando eu voltei [ao ficar afastada entre 'Volta por Cima' e 'Quem Ama Cuida'], eu voltei assim: 'Vai começar tudo de novo, que delícia'. E é uma delícia, mesmo", comemora.
Em entrevista, Isabel comenta a intensidade da gravação: "Canso, mas hoje estou meio gripada. Eu me preparei muito para essa jornada, então tenho uns truques de disciplina. Gravo muito porque gravo em muitos núcleos diferentes, então a Pilar transita muito. Isso o Walcyr já tinha falado desde o começo. Hoje, por exemplo, fiz uma frente. Mas, às vezes, faço duas. E aí, na segunda frente, fico até as nove da noite. Engraçado porque tenho a sensação que as pessoas não sabem disso do trabalho que dá gravar uma cena. Hoje estava fazendo uma cena que era uma entrada na clínica de estética, uma cena relativamente curta, ótima, inclusive, com três pessoas conversando, e eu entrava. Era uma cena só para eu passar. Grava a primeira parte da cena e depois a minha passagem, e eu falava assim: 'Não precisa me acompanhar, não, que eu vou sozinha'. E a gente tem que fazer três planos, tem toda uma coisa. Eu falei: 'Nossa, as pessoas não têm noção que'".
Com informacoes de Globo.

