Inventário de quase R$ 100 milhões levanta suspeitas de fraude e leva ex‑número 3 da Fazenda de SP à prisão

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 05/09/2026 08:20
Inventário de quase R$ 100 milhões levanta suspeitas de fraude e leva ex‑número 3 da Fazenda de SP à prisão

Foto: via G1

Na quinta‑feira (3), a Operação Caldarium resultou na detenção do ex‑diretor‑geral executivo da Administração Tributária da Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo (Sefaz‑SP), André Weiss, após o Ministério Público de São Paulo (MP‑SP) identificar indícios de fraude em um inventário de quase R$ 100 milhões.

O inventário, encerrado em 17 de julho de 2023 no 2º Tabelionato de Notas, registrou a transmissão de bens no valor de R$ 99,9 milhões do falecido Eugen Weiss para seu filho André Weiss, que figurava como único herdeiro.

Segundo o documento do MP‑SP, o montante declarado é manifestamente incompatível com o perfil de Eugen Weiss, que era engenheiro aposentado, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e escritor que publicou seu primeiro romance aos 70 anos, sendo finalista do Prêmio Jabuti em 2017.

Os promotores apontaram ainda uma divergência entre o valor declarado no inventário e o comunicado pelo próprio cartório ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ao encerrar o inventário, o cartório informou ao Coaf um total de R$ 579 mil, com valor fiscal de R$ 223 mil, indicando que o inventário teria sido superavaliado para legitimar recursos de origem ilícita, caracterizando tentativa de lavagem de dinheiro.

A investigação revelou que André Weiss teria utilizado familiares para ocultar endereços e bens, além de ter sido capturado em áudio que menciona a compra de sauna como forma de lavar dinheiro.

André Weiss, ex‑número 3 da Sefaz‑SP durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi responsável por escolher o grupo técnico que revisaria as isenções tributárias nos casos Ultrafarma e FastShop. Ele foi delatado pelo ex‑auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como “PP”, que firmou acordo de delação premiada com o MP‑SP no último mês de julho, vinculando‑o aos auditores Artur Gomes da Silva Neto (“Rei Artur”) e Alberto Toshio Murakami (“Americano”), investigados no mesmo esquema.

De acordo com o Diário Oficial do Estado, em 14 de agosto de 2025, André Weiss nomeou oito fiscais para conduzir a revisão de processos, protocolos e normatização relativos ao ressarcimento do ICMS retido por substituição tributária nos casos Ultrafarma e FastShop. Entre os nomeados estava o fiscal Arthur Rafael Gatti Alvares, também citado em fraudes tributárias na pasta.

Em outubro de 2025, após a Operação Ícaro, que prendeu o líder das fraudes, Arthur da Silva Neto (“Rei Artur”), o fiscal Arthur Gatti teria informado ao colega Valmir Lucas que o auditor Daniel Makita estava preocupado com o avanço das investigações do MP‑SP, devido ao processamento irregular de pedidos de ressarcimento de empresas alvo de revisão.

Os promotores encontraram, no celular de “Rei Artur”, gravação de um almoço de negócios em que Arthur Gatti e André Weiss conversam sobre a compra de um veículo Mercedes e comentam sobre a possibilidade de serem algemados e presos, dizendo: “Se eu comprar uma Mercedes… 250 pau uma Mercedes… se você aparece na Delegacia, cara… isso aí vai sair no jornal”. A gravação data de 27 de julho de 2023, menos de um mês antes da primeira entrega de propina relatada pelo ex‑delegado regional tributário do Butantã, Paulo Sérgio Siqueira Prado, que colaborou com a promotoria.

Com base nos elementos reunidos, o MP‑SP concluiu que o inventário superavaliado, as conversas gravadas e o uso de familiares para ocultar bens configuram um esquema de integração de recursos ilícitos ao patrimônio familiar, evidenciando corrupção sistêmica na Secretaria da Fazenda de São Paulo.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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