Ex-diretor da Fazenda de SP é preso após áudio revelar plano de comprar sauna para lavar dinheiro e medo de ser algemado
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) determinou a prisão preventiva nesta quinta‑feira (3) de André Weiss, ex‑diretor‑geral da Administração Tributária do Estado, e do advogado João André Buttini de Moraes, como parte da Operação Ícaro, que investiga um esquema de propina envolvendo a Secretaria da Fazenda.
Durante um almoço entre fiscais, gravado em 27 de julho de 2023, Weiss comentou que havia pensado em adquirir uma sauna em São Paulo para servir como local onde seriam recebidos recursos em espécie, afirmando que a maioria dos clientes pagaria em dinheiro e que tal estabelecimento facilitaria a lavagem de valores.
Ele também manifestou preocupação em ostentar riqueza, dizendo que, caso fosse visto dirigindo um automóvel Mercedes no valor de R$250 mil, isso chamaria a atenção da imprensa e poderia resultar em sua algemação por parte de um promotor.
Weiss ocupava até maio deste ano o terceiro cargo mais alto na hierarquia da Secretaria da Fazenda, respondendo apenas ao subsecretário da Receita Estadual e ao secretário da Fazenda, e, segundo o MPSP, comandava o núcleo público da organização criminosa investigada.
A gravação, com mais de duas horas de duração, foi encontrada no celular do auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, que já havia sido preso na Operação Ícaro em agosto de 2025. O áudio foi submetido a perícia pelo Núcleo de Computação Forense do Centro de Apoio Operacional à Execução (Caex), que certificou sua integridade. A Justiça considerou a prova admissível porque foi feita por um dos participantes, sem intervenção clandestina dos investigadores.
No mesmo almoço, os fiscais discutiram procedimentos de ressarcimento de ICMS de grandes redes varejistas. Quando questionado sobre uma reunião reservada com o ex‑delegado regional tributário do Butantã, Paulo Sérgio Siqueira Prado, Weiss respondeu apenas “Rateio”. Em outra parte da gravação, eles mencionam três processos cujos números ou valores não estavam corretos e combinam um novo encontro para tratar do assunto.
A conversa também trouxe referências a “caixinhas” mantidas por fiscais, usadas como metáfora para esconder vantagens indevidas.
Paulo Prado, que firmou acordo de colaboração premiada, declarou ter recebido cerca de R$13,6 milhões do advogado João André Buttini de Moraes para agilizar pedidos de ressarcimento tributário, dos quais aproximadamente R$4,5 milhões teriam sido repassados a Weiss. As entregas teriam ocorrido em dinheiro vivo, transportado em mochilas, principalmente em restaurantes da Rua Ferreira de Araújo e em uma unidade da rede Ofner na Rua Pedroso de Moraes, em Pinheiros.
Próximo a meados de 2023, Prado passou a pagar a Weiss R$250 mil mensais para mantê‑lo à frente da Delegacia Regional Tributária do Butantã até sua aposentadoria, ocorrida em 2024. Documentos manuscritos encontrados na casa de Prado indicam a divisão de valores, incluindo uma anotação que atribui a Weiss uma cota de R$747,1 mil referente a um processo da Via.
O juiz responsável destacou que as acusações não se baseiam apenas no depoimento do colaborador, mas também em documentos, quebras de sigilo, movimentações financeiras e na gravação periciada. Weiss e Buttini foram presos preventivamente nesta quinta‑feira; seis outros agentes públicos foram afastados de suas funções e tiveram o acesso a sistemas restritos bloqueado.
Com informacoes de G1.

