Imagem de Luciano Hang é usada em golpe que promete ganhos de até R$ 10 mil por dia

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 25/09/2026 14:40
Imagem de Luciano Hang é usada em golpe que promete ganhos de até R$ 10 mil por dia

Foto: via Terra

Postagens que imitam uma reportagem do jornal O Globo utilizam imagens criadas por inteligência artificial para divulgar supostos sites de investimento que não têm qualquer vínculo com o empresário Luciano Hang. A investigação foi conduzida por NSC Comunicação e Projeto Comprova, e tanto Hang quanto a rede de lojas Havan negaram todas as informações sobre o alegado atentado, afirmando não ter relação com os sites divulgados.

Em 28 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE‑SP) determinou a remoção das publicações no X que associavam falsamente o candidato Fernando Haddad, do PT, ao suposto ataque contra Hang. A decisão foi proferida pela juíza auxiliar da propaganda eleitoral Domitila Manssur, após solicitação da coligação de Haddad.

Uma das versões do golpe consiste em uma postagem no X que direciona o usuário a um link que supostamente leva a uma notícia do O Globo sobre um atentado a Hang, supostamente motivado por Fernando Haddad ter tentado banir uma plataforma financeira chamada Bergmann Core. A pré‑visualização do link exibe uma colagem com imagens do empresário supostamente ferido, de Haddad e de um carro alvejado em frente a uma loja da Havan. A ferramenta SynthID identificou que as imagens foram produzidas com a tecnologia de IA da Google.

Ao clicar na suposta notícia, o usuário é levado a uma página que reproduz o visual de uma reportagem do O Globo, porém o endereço da página difere do domínio oficial (oglobo.globo.com) e a estrutura, URL e elementos gráficos não correspondem ao portal verdadeiro. O texto da página, além de afirmar falsamente que Hang está convencido de que o ataque foi motivado por uma nova plataforma financeira que já renderia R$ 20.000 por semana a milhares de brasileiros, inclui um botão “Acessar o site oficial” que redireciona para a plataforma fraudulenta.

Em outra variante do golpe, divulgada no Facebook, são usados elementos semelhantes, mas a suposta plataforma de investimentos recebe o nome de Clara Fundência e seria criada por Luciano Hang em parceria com o jogador de futebol Neymar. A publicação alega que Fernando Haddad tentou impedir a plataforma e relaciona essa disputa ao falso atentado, embora não direcione a nenhum link de plataforma verificada.

Em nota publicada em suas redes sociais, Luciano Hang negou ter sofrido qualquer atentado e alertou que sua imagem está sendo utilizada em conteúdos falsos para a prática de golpes. A Havan reforçou que o empresário não foi atacado, que a empresa não recomenda, não participa e não mantém qualquer relação com plataformas de investimento financeiro.

A decisão do TRE‑SP determinou que o X removesse as publicações que vinculavam Haddad ao suposto atentado, reconhecendo que o crime nunca ocorreu e que as postagens serviam como isca para encaminhar usuários a um site fraudulento que promovia um golpe financeiro.

Os golpistas empregam a manipulação de imagens com IA e a criação de notícias graves para despertar a curiosidade do usuário e estimular o clique. Ao reproduzir a identidade visual de um veículo de imprensa, conferem aparência de credibilidade ao golpe e, em seguida, apresentam a suposta plataforma financeira prometendo ganhos elevados. Em uma das páginas analisadas, a oferta afirmava que o usuário poderia ganhar de R$ 3 mil a R$ 10 mil por dia após realizar o cadastro e ativar a conta.

O objetivo central do esquema é convencer as vítimas a efetuar depósitos e fornecer dados pessoais em uma suposta plataforma de investimentos, usando promessas de rendimentos altos e quase garantidos, incompatíveis com a realidade do mercado financeiro.

Segundo o advogado especializado em Direito Digital e Internet Márcio Stival, o modus operandi segue padrão recorrente: “Normalmente golpistas utilizam plataformas em rede social para divulgar notícias falsas com questões que chamam bastante atenção, justamente tentando induzir um erro para levar a pessoa a clicar e fazer investimentos, fazer aquisições.”

O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), recomenda que os usuários estejam atentos a falsas promoções, mensagens enganosas e estratégias de engenharia social. O coordenador do Ciberlab, Alessandro Barreto, orienta que o primeiro passo para evitar prejuízos é desconfiar de ofertas muito vantajosas: “Se uma oferta parece boa demais para ser verdade, desconfie. Essa percepção é um dos principais mecanismos para evitar cair em golpes”.

Em síntese, a recomendação é manter vigilância constante e evitar compartilhar ou clicar em conteúdos que prometam retornos financeiros extraordinários sem fundamentos comprovados.

Com informacoes de Terra.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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