Greve de ônibus em São Paulo volta após demissão de grevista por justa causa
A categoria de motoristas de ônibus em São Paulo denuncia demissões em retaliação à paralisação e aponta falta de comprovação nos repasses do INSS e do FGTS, enquanto a greve volta a ocorrer após a demissão de um grevista por justa causa.
Segundo Júnior Araújo, motorista e integrante da liderança da categoria, a SPTrans entregou um documento aos trabalhadores, porém o material não respondeu a nenhuma das questões discutidas durante a greve.
Júnior também afirmou que todos os grevistas foram informados de forma informal de que não seriam perseguidos nem sofreriam represálias.
Em meio ao clima de tensão, membros do PCC citaram o ex‑vereador Milton Leite nas negociações, levantando dúvidas sobre a infiltração da facção criminosa no sistema de transporte de São Paulo.
Na data de hoje, 20, pela manhã, Júnior recebeu um comunicado por telegrama da empresa informando que havia sido dispensado por justa causa.
Em razão dessa demissão e de outras questões pendentes, os motoristas decidiram retomar a greve e não voltar ao trabalho enquanto as reivindicações não forem discutidas.
O advogado que representa os trabalhadores, Emerson Rosa, declarou que a retomada da paralisação ocorre porque as empresas não prestaram esclarecimentos sobre os valores do INSS, que, segundo os motoristas, não têm sido recolhidos, além das pendências relacionadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Sem respostas concretas, a greve deve ser retomada nos primeiros minutos desta quarta‑feira, 21.
A CNN Brasil entrou em contato com a SPTrans e com a Transwolff, mas até o momento não recebeu retorno; o espaço permanece aberto para manifestação.
Trinta e quatro linhas de ônibus do lote D10, que atendem mais de 267 mil passageiros da região Sul da cidade, foram impactadas pela paralisação.
O sistema Paese (Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência) foi acionado e garantiu o serviço de transporte até a normalização das garagens.
A SPTrans assumiu oficialmente a gestão das operações da empresa Transwolff em dezembro de 2025, após a prefeitura decretar a caducidade dos contratos com a empresa de ônibus.
A Transwolff passou por essas mudanças depois de ser citada nas investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil sobre a aderência da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de São Paulo.
Um dos investigados, o ex‑presidente da Câmara de São Paulo e ex‑vereador Milton Leite, é mencionado nos autos das apurações como o verdadeiro dono da empresa Transwolff.
Com informacoes de CNN Brasil.

