Gestor da AlphaKey alerta: “Não é agora” para compra de Magazine Luiza e destaca critérios de seleção na bolsa
A bolsa brasileira pode apresentar avaliações atrativas, mas o gestor Christian Keleti, sócio‑fundador da AlphaKey, alertou que não é hora de adquirir qualquer ação em desconto. Em entrevista no painel do evento anual do Santander, realizado nesta terça‑feira, 18, em São Paulo, Keleti destacou que, diante de juros elevados e de sinais de perda de fôlego da economia, a estratégia mais prudente é evitar empresas com níveis de endividamento elevados.
“As empresas do grupo Simpar (SIMH3), Magazine Luiza (MGLU3), a própria Rumo (RAIL3)… são empresas que, se der certo, a gente vai comprar para o portfólio que está lá… Mas não é agora, pessoal. É para defender o dinheiro de vocês. Não é agora”, afirmou Keleti, reforçando que a decisão de compra será tomada somente quando o cenário oferecer uma relação risco‑retorno mais favorável.
O painel contou ainda com a presença de Christian Faricelli, sócio‑gestor da Absolute, e Bruno Cordeiro, da Kapitalo. Todos concordaram que há oportunidades na bolsa, porém o momento pede maior seletividade. Em vez de buscar a ação que mais despencou, a preferência recai sobre companhias que lideram seus setores e apresentam balanços capazes de resistir a um ambiente incerto.
Keleti citou como exemplos de empresas que se encaixam nessa estratégia a Rede D’Or (RDOR3), do setor de saúde, e a Cyrela (CYRE3), da construção civil. Ele ressaltou que a ideia não é abandonar totalmente as companhias mais alavancadas, mas aguardar condições mais favoráveis para incorporá‑las ao portfólio.
O gestor também comentou que a própria Rumo (RAIL3) pode voltar ao portfólio caso a tese se desenvolva como esperado, porém, no momento, não considera adequado investir. “Não tem por que querer inventar. ‘Vou pegar porque está com desconto.’ Não, eu prefiro pagar melhor”, declarou Keleti, enfatizando que uma ação que parece barata hoje pode ficar ainda mais barata amanhã.
Quanto ao ambiente doméstico, Keleti apontou que “não tem posição local… fundo de pensão não tem posição, o mercado não tem posição. Eu estou muito preocupado com essa parte doméstica”. Ele explicou que a combinação de economia enfraquecida e famílias e empresas ainda endividadas pode intensificar a pressão sobre o crédito e dificultar a recuperação dos resultados corporativos.
Com juros altos, empresas muito endividadas precisam destinar uma parcela maior do caixa ao pagamento de despesas financeiras, reduzindo a geração de caixa justamente quando mais precisam. Nesse contexto, companhias com balanços mais robustos ganham vantagem, pois dispõem de mais tempo para aguardar a virada do ciclo.
Faricelli acrescentou que, se o Banco Central reduzir a taxa Selic, a queda poderia ser motivada por uma deterioração mais profunda da atividade econômica, e não por uma melhora sustentável. “Uma economia fraca, com recessão nos próximos dois anos, é um cenário que eu acho muito mais provável do que todos os economistas lá da Absolute. E, por isso, a gente está tomando bastante cuidado”, disse.
Ele também destacou uma postura defensiva em relação às small caps, que tendem a ser mais sensíveis ao custo do dinheiro e às condições de crédito doméstico.
Em busca de alternativas ao cenário interno, Faricelli apontou as exportadoras como classe de ativos que atualmente parece barata. A Absolute já teve exposição à Prio (PRIO3), mas reconhece que o risco de interferência governamental em setores estratégicos, como o de energia, pode impactar esses investimentos. “Mas daí, quando sobe o petróleo, o governo taxa. É difícil isso”, completou.
Como já observamos em nossa cobertura sobre a recuperação da Hapvida (HAPV3), a cautela diante de ambientes de alta dívida tem sido um tema recorrente entre os gestores, reforçando a importância de selecionar empresas com fundamentos sólidos antes de assumir posições.
Com informacoes de Seu Dinheiro.

