Flor Gil quer herdar a maternidade de Bela Gil e revela trajetória de três gerações da família Gil
Três gerações – Flora, Bela e Flor Gil – construíram caminhos distintos, mas marcados por liberdade e apoio mútuo transmitidos de mãe para filha.
Flora Gil cresceu nas ruas ainda de terra de Moema, na zona oeste de São Paulo, nos anos 1960 e 1970. Brincava de carrinho de rolimã, empinava pipa e andava de velotrol. Frequentava uma escola de freira a qual chegava sozinha de ônibus. Ela recorda a asfaltação da rua, o cheiro de piche endurecendo, a iluminação amarela de lâmpadas de mercúrio e, à noite, a sensação de que o “dente” da luz mudava de cor. Aos domingos, a família assistia aos aviões que decolavam no aeroporto de Congonhas.
Bela Gil nasceu em Salvador, Bahia, e, segundo Flora, era mais tímida e “um pouco medrosa”, não gostando de dormir fora. Diferente da infância livre da mãe, Bela cresceu cercada por músicos – quatro dos cinco filhos de outros três casamentos de seu pai, Gilberto Gil, já seguiam a carreira musical do pai. Ela se interessou pelas aulas de biologia, especialmente anatomia humana, e chegou a pensar em medicina. “Eu era CDF, não gostava de perder aula. Logo no comecinho da adolescência, entendi que queria trabalhar com o corpo, com a saúde”, contou.
Apesar do ambiente musical, Bela não desenvolveu talento para cantar ou tocar. Quando tentava violão, sentia dores nos dedos e os irmãos zombavam da desafinação. “Eu não fiz aula de canto, não tenho um ouvido muito bom, não sei distinguir uma nota da outra, e sou meio desafinada. Então meus irmãos me sacaneavam: ‘Bela, deixa quem sabe cantar, pelo amor de Deus’”, relatou, acrescentando que a brincadeira a desencorajou, mas não gerou trauma.
Flor Gil, filha de Bela, nasceu nos Estados Unidos e viveu lá até os sete anos, sempre acompanhada de câmeras e palcos. Em casa, assistia às gravações de “Bela Cozinha”, programa que sua mãe apresentava no canal GNT, aprendendo a cozinhar desde cedo. Ao lado do avô e de tios e primos, percebeu que seu futuro também seria na música.
Em 2025, Flor lançou seu primeiro álbum, “Cinema Love”, aos 18 anos. Ela afirma que o primeiro contato com o público foi pela câmera, não pelo palco: “Minha mãe me trouxe muita familiaridade com a câmera, porque ela fazia programa em casa. Meu primeiro contato com o público não foi no palco, foi com a câmera”. Começou a cantar aos seis anos, quando todos ao seu redor cantavam, e viu isso como um estilo de vida que desejava seguir.
Durante uma gravação, Flora perguntou a Bela se conhecia uma música que falava de cinema e madrugada. Bela, sem reconhecer a canção, respondeu que “vocês com certeza vão saber quando chegar o refrão”. Quando o refrão “Só quero saber do que pode dar certo / não tenho tempo a perder” surgiu, Bela e Flora cantaram juntas, mas Flor não sabia o refrão, pois nunca tinha ouvido a música. A canção citada era “Go Back”, single dos Titãs lançado em 1980; na época, Bela ainda não tinha completado um ano de vida, enquanto Flora já tinha quase 30, o que explica a memória fresca de Flora sobre a faixa.
Em 2022, a família Gil participou do reality “Em Casa Com os Gil”, lançado na Amazon Prime, gravado em um pequeno estúdio no Cosme Velho, zona sul do Rio de Janeiro. Durante a pandemia, o grupo se reuniu no sítio da família em Araras, interior do Rio, para gravar a série, que serviu de prelúdio para a turnê europeia de comemoração dos 80 anos de Gilberto Gil.
Além de Flora, Bela e Flor, o programa mostrava a presença de Fafá Giordano, irmã de Flora, e de Marcus Vinícius, conhecido como Marquinho, assessor de Gilberto Gil há mais de duas décadas. No estúdio, as três mulheres se aconselham e parecem entender-se sem precisar de muitas palavras.
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Com informacoes de CLAUDIA - o sentido feminino.

