Flávio Bolsonaro foi usuário master de conta offshore da Alcazar Holdings, sócia do jato Legacy 650 usado por Daniel Vorcaro

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 14/10/2026 13:00
Flávio Bolsonaro foi usuário master de conta offshore da Alcazar Holdings, sócia do jato Legacy 650 usado por Daniel Vorcaro

Foto: via O GLOBO

A Polícia Federal informou que o candidato do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, possuía "nível elevado de acesso e gerenciamento" aos recursos de uma holding que detinha um terço da aeronave Legacy 650, modelo usado por Daniel Vorcaro.

A conta bancária analisada pertence ao Santander, estava registrada em nome da Alcazar Holdings e era administrada por Willer Tomaz, conforme apurado pelo UOL na semana anterior. Até maio de 2025, a mesma conta também constava como vinculada a Flávio Bolsonaro, de acordo com troca de e‑mails capturada no iCloud do advogado.

O material obtido pela equipe da coluna inclui capturas de tela e fotografias armazenadas no dispositivo do candidato, que foram incorporados à reportagem.

Em e‑mail enviado às 08h05 do dia 22 de maio de 2025 a gestores da área de clientes corporativos e câmbio (categoria CCY), com cópia para Tomaz, a secretária Fayla Menezes solicitou a inclusão de um novo usuário no perfil Master da conta da Alcazar e escreveu: "Na oportunidade peço por gentileza no gerenciador do usuário master desassociar as contas abaixo". Em seguida, listou um número e o nome de Flávio Bolsonaro e outra referência intitulada "conta PF Willer".

A resposta do Santander chegou às 10h21 do mesmo dia, informando: "As contas foram excluídas do contrato, conforme solicitado".

A assessoria de Flávio Bolsonaro enviou mensagem à equipe da coluna afirmando que o presidenciável "nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas" e alegou que "o próprio e‑mail apresentado comprova justamente que a vinculação era indevida, tanto que solicita a desvinculação".

Willer Tomaz, por sua vez, divulgou nota negando ter dividido conta bancária com Flávio. Segundo ele, "o e‑mail enviado ao Santander não demonstra o contrário. Extrair desse documento uma 'eventual participação econômica ou societária' é ilação".

A Alcazar Holdings está sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e tem Willer Tomaz como único sócio. A empresa era detentora de uma das três cotas do jato Legacy 650, matrícula PP‑NLR, adquirido em 2023 pela Fraction 024.

Foi precisamente esse avião que Flávio Bolsonaro utilizou, acompanhado de seu advogado, em janeiro de 2025 para uma viagem de ida e volta entre Brasília e Fort Lauderdale, na Flórida.

Na época, os demais cotistas eram Laerte Cosentino, proprietário da Totvs, e a Prime You, que contava com Daniel Vorcaro como um de seus sócios.

Ao ser questionado sobre a viagem pela revista Piauí, que investigou a ligação entre Flávio Bolsonaro e o jato usado por Vorcaro, o senador Fachin afirmou que viajou como carona a convite de Tomaz, por amizade. O advogado declarou desconhecer que a Prime You fosse cotista da aeronave nem que a empresa pertencesse a Vorcaro.

Documentos apreendidos pela Polícia Federal sugerem que a participação de Flávio Bolsonaro pode ter ultrapassado a condição de simples carona no jato de Tomaz.

Segundo a documentação relativa à abertura da conta da Alcazar Holdings, Flávio Bolsonaro constava como usuário com perfil de acesso ao sistema.

Em paralelo, o Tribunal Superior Eleitoral recebeu quase 300 novas ações de propaganda eleitoral na reta final do primeiro turno, enquanto a Procuradoria‑Geral da República solicitou apenas o arquivamento de um caso contra o vice‑presidente da campanha de Flávio Bolsonaro após o primeiro turno.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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