Flávio Bolsonaro acusa CNBB de participar de fake news sobre Nossa Senhora Aparecida; bispos rebatem a alegação
Em agenda realizada neste domingo, 27 de setembro, na cidade de Aracaju (SE), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e candidato à Presidência da República declarou que a suposta fake news envolvendo a padroeira do Brasil teria origem no Partido dos Trabalhadores (PT) e teria sido elaborada com a colaboração de pessoas vinculadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Segundo o senador, "a maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento pra tirar ela de ser padroeira do Brasil, jamais existia, não tem projeto, não tem nada. O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente, essa é a realidade".
Na mesma noite, a CNBB divulgou nota oficial repudiando a acusação, afirmando que se trata de injustiça e que a instituição não participou de qualquer ação relacionada ao caso. A nota completa foi publicada no site da Conferência.
Na quinta-feira anterior, durante o programa "Em Pauta" da GloboNews, a jornalista Maria Cristina Fernandes relatou a existência de um movimento dentro da Igreja Católica em reação a um grupo de evangélicos que, supostamente, estaria mobilizando um projeto de lei para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A GloboNews emitiu posteriormente uma correção esclarecendo que: (i) um projeto de lei sobre o tema foi apresentado em 2007 e arquivado em 2008; (ii) não há, no momento, nenhum projeto com esse conteúdo em tramitação no Congresso; (iii) não existe mobilização organizada de evangélicos nesse sentido; e (iv) a jornalista nunca vinculou essa suposta mobilização à campanha de Flávio Bolsonaro.
Nos últimos dias, boatos circulando em redes sociais alinhadas à esquerda sugeriam que Bolsonaro e políticos de direita teriam a intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Flávio Bolsonaro desmentiu a informação na sexta-feira, 25 de setembro, em vídeo publicado nas redes sociais, afirmando que não há qualquer intenção de promover tal mudança.
Em reação à divulgação do boato, o ministro André Mendonça, vice‑presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu decisão liminar na mesma sexta-feira, qualificando a associação entre a padroeira e a família Bolsonaro como inverídica e determinando que as plataformas digitais removam publicações relacionadas, inclusive um post do humorista Antonio Tabet. O ministro justificou a medida ao afirmar que a continuidade da publicação poderia ampliar os efeitos da narrativa impugnada, justificando a atuação cautelar.
No domingo, 27 de setembro, o ministro Flávio Dino anulou os efeitos da decisão de André Mendonça, permitindo que a publicação de Antonio Tabet fosse republicada, sob o argumento de proteção à liberdade de expressão.
Um boato semelhante foi criado em 2018 contra o então candidato à Presidência da República e pai de Flávio, Jair Bolsonaro. Na época, o G1 desmentiu um post que alegava que Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo teriam assinado o projeto de lei 2.623/07, que visava retirar o título de "padroeira do Brasil" de Nossa Senhora Aparecida. O site da Câmara dos Deputados indica que a proposta, apresentada pelo professor Victório Galli, foi arquivada em agosto de 2008. O projeto pretendia substituir a expressão "Padroeira do Brasil" por "Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos".
A CNBB, ao se manifestar sobre as recentes alegações, reforçou que repudia a produção e o uso de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar. A Conferência ressaltou que não integra qualquer estrutura político‑partidária, de partido ou candidatura, e que suas intervenções nas eleições decorrem exclusivamente de sua missão pastoral e dos princípios públicos expressos em seus documentos, fundamentados na dignidade humana, no bem comum, na democracia e na liberdade de consciência. A instituição alertou que atribuir-lhe participação na produção ou disseminação de desinformação, sem fatos ou provas, atinge injustamente a CNBB e não contribui para a serenidade e responsabilidade necessárias ao processo eleitoral. Concluiu ainda que "a mentira não se combate com outra mentira" e reafirmou seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.
Com informacoes de G1.

