Feira da Produção retorna à Área da Ponte após 12 anos e celebra 20 anos da Ponte da Aliança Operário‑Camponesa
Na manhã de 19 de setembro de 2026, a Área da Ponte, localizada em Para Terra I, nas proximidades de Varzelândia e São João da Ponte, no Norte de Minas, recebeu a 6ª Feira da Produção, organizada pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP). A edição marca o retorno da feira após 12 anos de interrupção e celebra os 20 anos da Ponte da Aliança Operário‑Camponesa, erguida em 2006.
Nas barracas foram novamente expostos feijão, amendoim, farinha de mandioca, bijus de milho e de goma, frutas, verduras, mel e rapadura. Entre os vegetais oferecidos estavam couve, coentro, abóbora, tomate, cenoura, alho, cebola, banana e beterraba, além de açúcar e alimentos preparados a partir dos produtos colhidos nas roças.
Os feirantes enfatizaram a consignas da atividade: “Se o camponês não planta, a cidade não almoça nem janta”, reforçando que o objetivo da feira é “mostrar o que é a produção do camponês”.
Durante a visita, os moradores demonstraram como o trabalho coletivo possibilitou a instalação de uma rede de irrigação, a manutenção das lavouras e a redução do esforço físico. A ponte construída em 2006, fruto da cooperação liderada pela LCP, continua a gerar frutos nas plantações. Imagens aéreas capturadas pela Agência Nacional de Desenvolvimento (AND) revelam a extensão da plantação coletiva: fileiras de culturas, canteiros e grupos de bananeiras formam um mosaico cortado por caminhos percorridos pelos visitantes.
Essa conquista está inserida no segundo ponto do Programa Agrário de Defesa dos Direitos do Povo (PADDP), elaborado e aplicado pela LCP, que visa libertar as forças produtivas do campo, fomentar a cooperação e adotar meios de produção e instrumentos mais avançados. O programa também inclui a organização da comercialização, do abastecimento e a construção de estradas, pontes e outras infraestruturas necessárias à vida das comunidades.
Em 2011, os moradores já associavam a irrigação à persistência na exigência de recursos públicos e relataram que a construção da ponte, com apoio da LCP, ajudou a reanimar o grupo de produção coletiva. Na celebração de setembro, o representante de Para Terra I vinculou a ponte ao fortalecimento do coletivo e ao desenvolvimento da Assembleia Popular (AP) e do Comitê de Defesa da Revolução Agrária (CDRA).
O terceiro ponto do PADDP, que trata da organização e exercício do poder político das massas e da construção de embriões de autogoverno, foi reforçado por declarações do presidente da associação: “Nós como indivíduos, sem o coletivo, não somos ninguém” e “É uma comunidade que tem decisão própria, sabe o que quer, luta pelos seus objetivos”.
Antes da implantação da rede fixa, os camponeses dividiam-se em grupos que transportavam tubos aquecidos ao sol para molhar as lavouras. “Era o dia inteirinhozinho com a bota, carregando na lama, cano quente na carcunda”, recordou um dos moradores que conduziu a reportagem pelas roças.
Hoje, a tubulação está enterrada e o horário de irrigação de cada setor é programado por um controlador digital. A água provém de poços e percorre a rede subterrânea até os pontos de distribuição. O controlador permite definir o início do funcionamento e o tempo de operação de cada setor, ajustando‑se às necessidades de cada cultura: as que demandam menos água recebem menos, enquanto as que exigem mais recebem irrigação adicional. No período de sequeiro, o cultivo ainda depende das chuvas, mas a irrigação amplia as possibilidades de plantio e colheita, exigindo que as famílias dominem tanto o equipamento quanto as exigências de cada lavoura.
Durante a visita, um camponês destacou o cuidado especial com a irrigação do feijão, que requer controle preciso. Também foi apresentada uma peça chamada “ventosa”, que permite a saída do ar da tubulação, garantindo o funcionamento adequado do sistema. Em outro momento, foi mencionado o uso de uma roti, parte integrante da manutenção da rede.
Com informacoes de A Nova Democracia.

