Falta de debate fiscal domina a campanha de Lula 3 e Flávio Dino, alerta economista

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 24/08/2026 21:20
Falta de debate fiscal domina a campanha de Lula 3 e Flávio Dino, alerta economista

Foto: via Folha de S.Paulo

Joel Pinheiro da Fonseca, economista e mestre em filosofia pela USP, afirma que o tema mais relevante da disputa eleitoral é exatamente aquele que permanece ausente nas discussões públicas.

Ele declara que o que gostaria de ouvir de cada candidato são os detalhes sobre quais gastos serão cortados ou quais impostos poderão ser aumentados – embora espere que não haja aumentos – para conter o endividamento crescente.

Segundo o analista, a questão fiscal praticamente desapareceu da campanha, tendo sido apenas aludida de forma genérica no debate de domingo, sem indicar que o presidente Lula ou o candidato Flávio Dino adotariam posições diferentes.

A campanha, descrita como a mais desanimada desde a redemocratização, iniciou-se com um debate que contou apenas três candidatos cujas intenções de voto somavam menos de 10%, o que o autor considera um desrespeito ao eleitor ao privá‑lo de uma oportunidade de avaliação sob pressão.

Pinheiro ressalta que o debate não é o ambiente ideal para detalhar propostas, mas serve para observar quem emerge nas disputas de poder, ainda que brevemente, por trás das estratégias de campanha. Promessas populares de medidas duras contra o crime, embora frequentes, não revelam posicionamentos concretos e custam pouco aos candidatos.

Ele destaca que a boa notícia é o desaparecimento das vozes que defendiam que um Estado com dívida em sua própria moeda não precisaria se preocupar com as contas públicas; hoje, todos repetem superficialmente o compromisso com “o fiscal”.

Por outro lado, a má notícia é que o tema fiscal sumiu da campanha, limitando‑se a acenos genéricos dos três candidatos no debate de domingo. Lula 3 começou reconhecendo a importância do equilíbrio fiscal, derrubando o teto de gastos que havia perdido credibilidade após sucessivos furos e implantando um novo arcabouço. Contudo, à medida que o mandato se aproxima do fim, a dívida bruta como proporção do PIB está cerca de 10 pontos percentuais acima do patamar de 2023, alcançando 81,9% em junho.

O economista reitera seu desejo de ouvir quais despesas serão reduzidas ou quais tributos poderão ser aumentados (esperando que não) para frear o endividamento. Ele aponta que todos os incentivos políticos vão na direção contrária: o candidato que primeiro mencionar um corte relevante será atacado pelos demais e pela opinião pública, assim como quem propuser aumento de impostos.

Pinheiro compara a situação ao caso da Argentina, onde Javier Milei foi eleito prometendo cortes drásticos e os implementou devido à inflação fora de controle e à miséria galopante, que eliminaram a ilusão de manter o status quo. No Brasil, não há crise tão grave; há sinais preocupantes, mas nem recessão nem inflação galopante. O gasto e o crédito já não sustentam mais o crescimento, o consumo mostra sinais de desaceleração, o endividamento está nas alturas e as recuperações judiciais aumentaram 65,7% desde 2023.

Ele conclui que a hora da verdade chegará nas urnas. Já havia previsões de ajuste fiscal já em Lula 3, que não se concretizaram. Pergunta‑se se haverá um ajuste em um possível Lula 4, com Flávio Dino ou outro candidato, e afirma que só se pode especular observando sinalizações indiretas nas falas e nas equipes que se formarem, já que a ausência nos debates não tem penalizado os candidatos em termos de pontuação.

Com informacoes de Folha de S.Paulo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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