Larva de libélula possui lábio preênsil que se projeta em milésimos de segundo para capturar presas

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 24/08/2026 19:40
Larva de libélula possui lábio preênsil que se projeta em milésimos de segundo para capturar presas

Foto: via O Antagonista

Uma larva aquática de libélula, que costuma permanecer quase imóvel no fundo de rios e lagoas, esconde um sofisticado mecanismo de captura: um lábio inferior altamente modificado, conhecido como lábio preênsil, que pode ser projetado rapidamente para frente.

Esse lábio preênsil permanece dobrado sob a cabeça da ninfa e só se movimenta quando uma presa entra em seu alcance. Diferente das mandíbulas, que entram em ação apenas após a captura, o lábio funciona como uma pinça articulada que agarra insetos, girinos e pequenos peixes.

O aparelho de captura é constituído por três partes articuladas – premento, pós‑mento e palpos labiais. Em repouso, essas estruturas ficam recolhidas; ao detectar a presença de uma presa, as articulações se estendem rapidamente e os palpos se abrem, operando como um braço com pinça na extremidade.

Filmagens em alta velocidade realizadas em laboratório registraram que a extensão completa do lábio ocorre em aproximadamente 63 ± 24 milissegundos nas ninfas estudadas. O ciclo completo de projeção e recolhimento, que inclui captura, retenção e retorno à posição inicial, dura cerca de 187 ± 54 milissegundos. Os valores variam conforme a espécie, o tamanho do indivíduo, a temperatura da água e o formato específico do lábio.

As ninfas são predadoras versáteis. Entre as presas mais comuns estão larvas de mosquitos e outros insetos aquáticos. Em observações realizadas em lagoas brasileiras, foram registradas capturas de girinos compatíveis com o tamanho da ninfa, bem como, em espécies maiores, pequenos peixes. Cada tipo de presa é apreendido diretamente pelos palpos do lábio.

Um vídeo divulgado mostra a ninfa em ação: o lábio permanece dobrado até o último instante, quando se projeta em alta velocidade e captura a presa, movimento que é praticamente invisível a olho nu.

A postura quase imóvel antes do ataque serve como estratégia de emboscada. Ao permanecer parada, a ninfa reduz a chance de ser percebida, camuflando‑se entre plantas, detritos ou sedimentos. A detecção da presa combina estímulos visuais e mecânicos gerados por vibrações na água, permitindo que o ataque ocorra a curta distância, sem necessidade de perseguição.

Embora o lábio preênsil seja responsável pela captura, as mandíbulas permanecem próximas à cabeça e têm a função de cortar e processar a presa após ser trazida para perto. Microscopia revela que as mandíbulas apresentam áreas endurecidas, adaptadas ao contato repetido com exoesqueletos.

Projetar uma estrutura rapidamente sob a água implica superar um arrasto significativo. A biomecânica do lábio reduz esse problema por meio de articulações coordenadas e de uma sequência rápida de abertura, extensão, fechamento e retração. Estudos apontam ainda que o movimento pode envolver armazenamento e liberação de energia elástica, aspecto que tem inspirado o desenvolvimento de mecanismos robóticos bioinspirados capazes de expandir-se rapidamente em ambientes submersos.

A fase larval, durante a qual a ninfa atua como predadora aquática, varia amplamente entre as espécies e depende das condições ambientais. Ao longo desse período, a ninfa passa por sucessivas mudas, continua a predar e, ao final, deixa a água, fixa‑se em uma superfície e completa a metamorfose para o adulto alado. Nesse estágio final, o mecanismo de caça subaquática desaparece, e a libélula adulta passa a capturar insetos em voo.

Com informacoes de O Antagonista.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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