Exército do Lula: estratégia digital de Janones mobiliza seguidores e altera métricas nas redes

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 19/10/2026 12:20
Exército do Lula: estratégia digital de Janones mobiliza seguidores e altera métricas nas redes

Foto: via Poder360

Em 16 de outubro, Janones enviou gravação aos seguidores pedindo engajamento total, solicitando que deixassem de fazer atividades cotidianas para focar na reeleição de Lula, pedindo que usassem três hashtags simultaneamente no X.

Em outro áudio, o deputado ironizou a ideia de que Lula interrompesse seu evento para publicar hashtags, afirmando que essa tarefa cabia ao grupo.

O crescimento do chamado Exército do Lula coincidiu com melhora nas métricas digitais do presidente; levantamento da Datrix Digital, divulgado em 16 de outubro pela Folha de S.Paulo, mostrou que a mediana de interações por publicação subiu de cerca de 2.800 para 16.200, enquanto o número de postagens caiu 24%.

Entre 7 e 14 de outubro, o saldo de sentimento sobre Lula nas redes mudou de -20,3 para -2,2 pontos, embora os dados não comprovem que a estratégia de Janones seja a única causa.

Na tarde de 17 de outubro, Janones conseguiu colocar pelo menos oito hashtags pró‑Lula nos assuntos mais comentados do X ao mesmo tempo, e declarou conhecer o plano dos adversários, mas saber executá‑lo “para o bem”.

A eficácia da ação de Janones pode ser explicada por três mecanismos estudados na psicologia social: identidade coletiva, que transforma seguidores em “soldados”; objetivos claros e imediatos, que substituem convocações genéricas por missões específicas; e a recusa de divulgar fake news, afirmando que críticas mais duras ficam reservadas aos seus perfis pessoais.

Essa última afirmação foi contestada judicialmente pela oposição, que pediu a suspensão do canal sob acusação de disseminação de notícias falsas.

Janones sustenta que o canal não visa gerar visualizações de seus próprios vídeos ou de lideranças, mas orientar cidadãos sobre o uso das redes e o funcionamento dos algoritmos.

As convocações do deputado tornaram‑se memes; a expressão “pessoal, urgente”, usada para mobilizar, virou alvo de brincadeiras sobre a frequência das missões.

Lula chegou a brincar com as ações e prometeu conversar com Janones sobre o “descanso” dos integrantes do canal.

O deputado federal Gustavo Gayer (PL‑GO) expressou preocupação em áudio divulgado em 14 de outubro de 2026 no canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, alegando risco diante da mobilização de apoiadores de Lula nas ruas e do avanço do petista nas pesquisas internas da campanha.

No mesmo áudio, Gayer afirmou que a mobilização está influenciando as pesquisas de intenção de voto (tracking) e alertou os apoiadores de Flávio para não considerar a disputa decidida, dizendo: “Eles estão conseguindo, sim, mexer o ponteiro da eleição. Não está ganho”.

Gayer pediu engajamento total nos 12 dias que restam até o segundo turno e estabeleceu a meta de ampliar de 1,5 milhão para 2 milhões o número de integrantes do canal.

Em 15 de outubro de 2026, a Corte Eleitoral aprovou resolução que permite o uso imediato de canais oficiais registrados entre o primeiro e o segundo turno, após aprovação da Justiça Eleitoral, mudança ocorrida após disputa judicial envolvendo o Exército do Lula.

André Luis Gaspar Janones tem 42 anos, nasceu em 5 de maio de 1984 em Ituiutaba (MG). Trabalhou como cobrador de ônibus e escrevente no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, formou‑se em direito e fundou o escritório André Janones & Advogados Associados.

Candidatou‑se a prefeito de Ituiutaba em 2016, mas não foi eleito. Em 2018, ganhou destaque durante a greve dos caminhoneiros ao publicar tuítes e vídeos de apoio, o que impulsionou sua eleição como deputado federal, sendo o terceiro mais votado em Minas Gerais, com 178.660 votos.

Em 2020, durante a pandemia de covid‑19, Janones voltou a ganhar projeção nas redes ao defender a manutenção do auxílio emergencial de R$ 600, realizando transmissões ao vivo para mobilizar apoiadores e apresentando projeto de lei para prorrogar o pagamento até dezembro daquele ano, ampliando sua visibilidade nacional. Na época, afirmou não apoiar nem Lula nem o então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em 2022, anunciou pré‑candidatura à Presidência da República pelo Avante, mas desistiu da disputa para apoiar Lula.

Com informacoes de Poder360.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.