Ex-marido de galerista assassinado no Rio é condenado à prisão perpétua nos EUA e ainda aguarda julgamento no Brasil
Daniel Sikkema, ex-marido da galerista americana Brent Sikkema, foi condenado nos Estados Unidos a cumprir prisão perpétua após ser considerado culpado de contratar o assassinato do ex-cônjuge, que ocorreu no Rio de Janeiro.
Nos tribunais federais de Manhattan, o júri declarou Sikkema culpado em 22 de maio de 2026 das acusações de assassinato por encomenda, conspiração para cometer assassinato por encomenda e conspiração para cometer assassinato em país estrangeiro. A sentença foi proferida em 4 de novembro de 2026 pelo juiz Edgardo Ramos.
Segundo a acusação americana, Sikkema teria contratado o cubano Alejandro Triana Prevez para matar Brent Sikkema em meio a uma disputa de divórcio conturbada. Na madrugada do crime, Prevez entrou na residência da vítima no Jardim Botânico, pegou uma faca na cozinha e a utilizou para esfaquear Brent enquanto ele dormia, totalizando 18 ferimentos de faca, conforme documentos judiciais.
Para comprovar a participação de Sikkema, a promotoria apresentou aos jurados 11 transferências bancárias, além de ligações e mensagens trocadas entre os dois, muitas mediadas por empregados domésticos e intermediários. Os promotores afirmaram que cerca de US$ 9 mil foram pagos a Prevez antes e depois do assassinato. A defesa, representada pelo advogado Richard Levitt, alegou que os valores correspondiam a pagamentos atrasados por serviços prestados por Prevez ao casal em Cuba e sustentou que Daniel não era violento, tendo ocultado a relação com o cubano por estar em estado de pânico após o crime.
No Brasil, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Daniel Sikkema e Alejandro Triana Prevez em 8 de fevereiro de 2024, aproximadamente um mês após o homicídio. A Justiça recebeu a denúncia em 9 de fevereiro de 2024, iniciando a ação penal. A primeira audiência de instrução ocorreu em 30 de agosto de 2024, com a oitiva de testemunhas. Na segunda audiência, em 21 de outubro de 2024, foram ouvidas duas testemunhas de defesa, ambas policiais civis. A terceira audiência, realizada em 16 de dezembro de 2024, contou com a oitiva de mais uma testemunha de defesa; nesse dia, Daniel e Alejandro foram interrogados, porém permaneceram em silêncio.
Em 4 de maio de 2026, a juíza Tula proferiu a decisão de pronúncia, determinando que ambos os acusados fossem submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. Em julho de 2026, os processos de Sikkema e Alejandro foram desmembrados, passando a tramitar separadamente. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou, em 22 de outubro de 2026, um dos recursos apresentados pela defesa de Sikkema contra a pronúncia. O julgamento do júri de Alejandro está previsto para 25 de fevereiro de 2027, com sessão marcada para as 13h.
Especialista em Direito Penal, Diego Rodrigo Serafim, explicou que a diferença nos desfechos entre os dois países decorre dos distintos ritos processuais: nos Estados Unidos, o júri federal de Manhattan concluiu a condenação em maio de 2026, enquanto no Brasil o caso segue o rito tradicional de homicídio, que inclui fase de instrução, pronúncia e posterior julgamento pelo júri.
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Com informacoes de O GLOBO.

