Estudo revela menor transparência de anúncios nas redes sociais no Brasil comparado à UE e Reino Unido
Um estudo conjunto do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e do Minderoo Centre for Technology and Democracy, da Universidade de Cambridge, concluiu que o Brasil apresenta níveis inferiores de transparência em anúncios nas principais redes sociais quando comparado à União Europeia e ao Reino Unido.
No país, a transparência de Facebook e Instagram foi classificada como "insuficiente", enquanto os dados de TikTok e X (antigo Twitter) foram considerados "indisponíveis". Na própria Meta, os valores de gastos são divulgados em faixas, o que dificulta auditorias precisas.
Segundo os autores, as empresas ajustam o acesso aos dados conforme a regulação de cada região, resultando em um cenário de "transparência seletiva". O estudo destaca que, em um ano eleitoral, a falta de informações sobre quem patrocina conteúdos, quanto é gasto, quem paga e qual público recebe os anúncios complica o acompanhamento da influência financeira no debate político.
O portal G1 utilizou a Biblioteca de Anúncios da Meta e identificou que Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad gastaram, no mínimo, R$ 2,2 milhões em anúncios no Instagram e no Facebook. Outras plataformas, como TikTok e X, alegam não permitir impulsionamento de anúncios políticos.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE‑SP) esclareceu que os gastos com impulsionamento na pré‑campanha não são considerados irregulares desde que não haja pedido explícito de voto e que os valores sejam moderados.
Em termos de acesso a dados, o TikTok foi classificado como "indisponível" no Brasil, enquanto recebeu a classificação "limitado" na UE e no Reino Unido. No YouTube, a transparência foi avaliada como "insignificante" no Brasil, "limitado" na UE e "insuficiente" no Reino Unido. Já o X teve acesso "indisponível" no Brasil.
O estudo categoriza as plataformas em seis níveis – significativo, limitado, insuficiente, precário, insignificante e indisponível – considerando a existência de ferramentas de transparência, sua qualidade, granularidade e condições de acesso. Apesar da Biblioteca de Anúncios da Meta ser a principal ferramenta disponível no Brasil, a Meta obtém nota "limitado" na UE e "significativo" no Reino Unido, reforçando a diferença regulatória.
Débora Salles, pesquisadora do projeto, alerta que a identificação dos anúncios depende de sua classificação como conteúdo relacionado a questões sociais, eleições ou política. Quando a peça não é enquadrada nesses critérios, ela permanece em uma zona de baixa visibilidade, impedindo que o público e os pesquisadores acessem metadados relevantes – um problema especialmente relevante na pré‑campanha, quando partidos, políticos, governos e organizações podem produzir conteúdos de interesse eleitoral sem serem reconhecidos como políticos.
Com informacoes de G1 Política.

