Estudo do WRI Brasil Propõe Integração de Rastreabilidade da Soja e da Carne Bovina
Um estudo lançado pelo WRI Brasil apontou que o país já possui capacidade avançada para monitorar as cadeias produtivas da soja e da carne bovina, mas ainda precisa avançar na integração dos instrumentos disponíveis. A análise reuniu 21 iniciativas de monitoramento e rastreabilidade socioambiental voltadas a dois dos principais produtos da agropecuária nacional, com foco nos biomas Amazônia e Cerrado.
O levantamento, intitulado “Rastreando a Responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil”, avaliou dez iniciativas ligadas à cadeia da soja e outras 11 adotadas na produção de carne bovina. Segundo os pesquisadores, esses instrumentos buscam apoiar o monitoramento e a verificação dos processos de produção.
A partir da comparação entre as iniciativas, o estudo apresentou dez recomendações. Entre elas estão a adoção da propriedade rural como unidade de monitoramento, o uso de fontes oficiais com dados governamentais e cientificamente validados, a verificação de conformidade com o Código Florestal Brasileiro e a ausência de violações relacionadas ao trabalho forçado.
O estudo também recomenda auditorias independentes de terceiros com publicação de relatórios de transparência, expansão do monitoramento para todos os biomas, controle sobre desmatamento ilegal conforme o Marco Temporal de 2008 e desmatamento zero após agosto de 2020, em linha com compromissos nacionais e exigências do mercado internacional.
Outras orientações incluem mecanismos para monitorar toda a cadeia de suprimentos, incluindo fornecedores indiretos, sistemas para reintegração de fornecedores após ações corretivas e regularização, além de supervisão participativa e multissetorial. A diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra no WRI Brasil, Mariana Oliveira, afirmou que a melhora da rastreabilidade pode influenciar um modelo de desenvolvimento territorial mais sustentável no campo.
Além disso, o estudo destaca a importância da cooperação com grandes mercados compradores. A China, que importou do Brasil US$ 44,6 bilhões em soja e carne bovina em 2024, foi citada como exemplo de mercado que pode se beneficiar de um protocolo estruturado de rastreabilidade, com mais transparência na avaliação de riscos socioambientais.
Com informacoes de Canal Rural.

