Estudo com 218 mil pessoas aponta que solidão afeta 1 em cada 5 no mundo, com disparidades entre países ricos e pobres

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 27/08/2026 13:20
Estudo com 218 mil pessoas aponta que solidão afeta 1 em cada 5 no mundo, com disparidades entre países ricos e pobres

Foto: via O GLOBO

Uma análise da pesquisa Gallup World Poll, que abrangeu 218.000 pessoas em quase 150 países, traz à tona a extensão da solidão em escala global, mostrando que aproximadamente uma em cada cinco pessoas relata sentir solidão em um dia típico.

Os números variam consideravelmente de acordo com a renda nacional: nos países de alta renda, 15,7% dos entrevistados declararam sentir solidão, com destaque para 16,2% na Nova Zelândia e 17,8% na Austrália; em contraste, em nações de baixa renda, 31,3% das pessoas afirmaram estar solitárias, quase o dobro da taxa observada nos países mais ricos.

O estudo aponta que a solidão não é apenas um problema individual, mas também uma condição social influenciada por fatores econômicos, institucionais e pela força das redes comunitárias. O capital social – a confiança e a disponibilidade de apoio de pessoas próximas – surge como o fator mais consistente: indivíduos que reconhecem ter alguém em quem confiar apresentam risco muito menor de solidão, independentemente da região.

Outros determinantes também aparecem nos dados: problemas de saúde, desemprego e a ausência de um parceiro aumentam a probabilidade de sentir solidão. Além disso, níveis mais elevados de escolaridade estão associados a menores índices de solidão em países de renda média e alta, embora essa relação seja muito mais fraca em contextos de baixa renda, onde fatores sociais e econômicos exercem maior influência.

Ao comparar os resultados de 113 países entre 2023 e 2024, não foi identificada uma tendência global de aumento da solidão. Na verdade, pouco menos de dois terços dos países apresentaram taxas menores em 2024 em relação a 2023. Entretanto, a evolução não foi uniforme: os países de baixa renda registraram aumentos significativos, os de renda média permaneceram estáveis e os de alta renda apresentaram diminuições.

Independentemente das variações regionais, a solidão está fortemente correlacionada com menor satisfação com a vida, tanto no presente quanto nas expectativas futuras, embora a associação com expectativas seja mais tênue. As pessoas que se declararam solitárias também relataram maior incidência de estresse, preocupação, raiva e dor física, além de menor prazer nas atividades cotidianas, um padrão que se manteve consistente em todas as regiões e faixas de renda.

Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas que fortaleçam o capital social e abordem as desigualdades econômicas, já que a solidão continua a impactar de forma significativa o bem‑estar e a saúde mental da população mundial.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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