Direção segura de Ridley Scott destaca ‘Ponto sem retorno’, mas roteiro recai em clichês

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 27/08/2026 12:40
Direção segura de Ridley Scott destaca ‘Ponto sem retorno’, mas roteiro recai em clichês

Foto: via G1

Ridley Scott, nascido em 1937 e próximo dos noventa anos, demonstra que ainda não pensa em se aposentar, como evidencia o lançamento de ‘Ponto sem retorno’, que chega aos cinemas nesta quinta‑feira (27).

O longa se passa em um futuro onde um vírus devastou a humanidade, deixando poucos sobreviventes espalhados pelo globo. O protagonista, Hig, interpretado por Jacob Elordi (conhecido por ‘Frankenstein’), vive em uma base aérea abandonada ao lado de Bangley, vivido por Josh Brolin (de ‘Vingadores: Ultimato’), e do cão Jasper, interpretado por Raksha.

Além de proteger a base de ameaças externas, Hig utiliza um avião bimotor antigo para buscar suprimentos e mantém a esperança de que exista um mundo além dos limites da sua fortaleza.

Um dia, após um evento inesperado e a captação de uma transmissão que pode indicar o que ele procura há tempos, Hig decide deixar a base. Um problema mecânico faz com que ele pouse em um rancho habitado por Cima, interpretada por Margaret Qualley (de ‘A Substância’), e por seu pai Pops, vivido por Guy Pearce (de ‘Prometheus’).

Ao integrar a família solitária de Cima e Pops, Hig encontra uma parte da paz que buscava, mas novos imprevistos surgem, forçando-o a enfrentar desafios que podem ser ainda mais mortais que a doença que devastou o planeta.

O roteiro, assinado por Mark L. Smith (autor de ‘O Regresso’, 2015) e inspirado no livro de Peter Heller, ‘Na Companhia das Estrelas’, não consegue fugir das armadilhas típicas do subgênero distópico. Consequentemente, várias situações lembram produções como ‘Jogos Vorazes’, ‘Eu Sou a Lenda’ e ‘Extermínio’, tanto em cenas quanto no perfil psicológico dos personagens, deixando lacunas narrativas.

Apesar das deficiências do roteiro, a direção de Scott se mostra segura, permitindo que o filme ofereça um resultado mais interessante. A fotografia, comandada por Erik Messerschmidt (conhecido por ‘Mank’ e ‘Ferrari’), e o design de produção são destacados ao longo da obra.

Scott divide o longa em duas partes distintas. A primeira, mais lenta e contemplativa, foca no cotidiano de Hig dentro da fortaleza e na relação com o cão Jasper, proporcionando alívio emocional ao clima desolador, embora possa gerar sensação de arrasto ao público. Na segunda parte, o ritmo acelera, enfatizando ação e tensão, com referências a filmes de faroeste, enquanto o drama recua um pouco.

O elenco reúne nomes relevantes após o controverso ‘Gladiador II’. Jacob Elordi, que assumiu o papel inicialmente pensado para Paul Mescal, entrega um personagem distante e atormentado, estabelecendo boa química com os colegas. Josh Brolin se destaca como Bangley, combinando ironia e paranoia, oferecendo momentos tanto de ação quanto de humor. Margaret Qualley traz alguma profundidade ao revelar detalhes da vida antes da epidemia, embora sua presença sirva principalmente como contraponto a Elordi. Guy Pearce tem participação limitada, mas garante risadas ao interpretar um pai superprotetor.

Fora do quarteto principal, Allison Janey (‘Eu, Tonya’) aparece em uma breve, porém marcante, cena que se destaca pela bizarria. O grande destaque, porém, recai sobre o cão Raksha, que “interpreta” Jasper; as sequências com Jacob Elordi são as mais poéticas do filme, e o animal conquista o público com sua espontaneidade.

Além de ‘Ponto sem retorno’, Ridley Scott continua envolvido em outras produções que ainda não têm data de lançamento, reforçando seu vigor criativo apesar da idade avançada.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.