Enxurrada de deepfakes de Lula e Flávio Bolsonaro domina redes no 1º turno de 2026
Durante o primeiro turno da campanha eleitoral de 2026, deepfakes de candidatos e autoridades brasileiras inundaram as redes sociais, gerando preocupação nas instâncias de controle eleitoral.
O monitoramento realizado entre 16 de agosto e 28 de setembro identificou 920 conteúdos virais produzidos ou editados por inteligência artificial; desses, 554 (60%) foram classificados como deepfake, totalizando ao menos 860 vídeos e imagens de pessoas reais que se tornaram virais.
Lula foi representado em 379 montagens, Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) em 190 e o ex‑presidente Jair Bolsonaro em 94. Jornalistas da Rede Globo, César Tralli e Renata Vasconcellos, também apareceram em dezenas de deepfakes, sendo falsamente mostrados atacando ou elogiando os presidenciáveis durante sabatinas do Jornal Nacional. A soma ultrapassa o total de casos porque alguns materiais retratavam mais de uma pessoa simultaneamente.
Quanto ao conteúdo, 34% dos deepfakes que mostravam Lula continham ataques diretos ao petista e à sua gestão – como entrevistas com nariz de Pinóquio que crescia ou sendo retirado por garis dentro de uma lata de lixo. Outros 25% foram produzidos em apoio, exaltando resultados na saúde pública e interagindo com eleitores. Já os materiais envolvendo Flávio Bolsonaro tiveram cerca de 40% de tom favorável, exibindo o “Zero Um” pedindo votos ou recebendo apoio popular, enquanto aproximadamente um quarto foram usados como ataque eleitoral, ressaltando sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro ou retratando‑o como fantoche do pai; a imagem que simula Flávio e o deputado Nikolas Ferreira (PL‑MG) em corpos de mulheres de biquíni ao lado de Vorcaro em um churrasco ilustra essa prática. Não é a primeira vez que Flávio aparece em controvérsias envolvendo Vorcaro, como já reportamos quando o TSE suspendeu jingle que o vinculava a esquema de rachadinha e ao banqueiro.
As principais redes onde os deepfakes circularam foram Facebook, com 559 casos, e Instagram, com 365 publicações, sendo que grande parte do conteúdo foi repostada em ambas as plataformas.
Em 2026, o Tribunal Superior Eleitoral proibiu o uso de todas as modalidades de deepfake, autorizando apenas produções que não busquem enganar o leitor, como paródias e cenários fictícios, desde que claramente identificados. O relatório da Lupa aponta, porém, que apenas 60% das imagens e vídeos continham rótulos informando o uso de ferramentas de IA.
Com informacoes de VEJA.

