Eleição 2026: seis fatores que podem definir a mais imprevisível disputa eleitoral do Brasil
As eleições de 2026 são apontadas como as mais incertas da história recente, lembrando as corridas extremamente apertadas de 2006 e 2022, nas quais a diferença entre o primeiro colocado e o segundo foi de 6,27 % e 5,23 % no primeiro turno, respectivamente, embora as pesquisas de véspera não tivessem previsto margens tão estreitas.
Em São Paulo, a disputa concentra‑se na diferença que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apresentará contra o candidato do PT, Fernando Haddad. Tarcísio tem boa avaliação e, segundo analistas, conseguiu impedir a formação de uma terceira via que poderia ameaçar seu desempenho. Do outro lado, os candidatos Carlos Machado (PCB) e Vera Lúcia (PSTU) aparecem empatados, ambos com 2 % de desvantagem em relação a Haddad, podendo registrar o pior terceiro colocado da história do estado desde Orestes Quércia, em 2006.
No Rio de Janeiro, o cenário ainda aguarda decisão da Justiça Eleitoral. A anulação dos votos válidos de Anthony Garotinho pode levar a eleição ao primeiro turno, situação já vivida por Leonel Brizola (1990), Rosinha Garotinho (2002), Sérgio Cabral (2006) e Cláudio Castro (2022).
Um dos pontos críticos é o fenômeno do não‑voto – soma de eleitores que optam por nulo, branco ou se abstêm. A última pesquisa espontânea da Quaest registrou 31 % de indecisos, seis pontos percentuais acima da eleição anterior, o que faz especialistas, como Maurício Moura, fundador do Ideia, prever um possível aumento desse índice. Diversas pesquisas qualitativas apontam cansaço e desengajamento como fatores que podem impulsionar o não‑voto.
Em entrevista ao Jornal da Globo, Moura projetou que, se o não‑voto atingir 31 % no primeiro turno, as chances de a eleição se encerrar no domingo aumentam consideravelmente. Para comparar, em 2022 o não‑voto foi de 25,36 % (20,95 % de abstenção, 2,82 % de nulo e 1,59 % de branco). O patamar de 31 % se aproximaria do registrado em 2018, quando a soma dos eleitores que não escolheram nenhum candidato chegou a quase 30 % (20,33 % de abstenção, 6,14 % de nulo e 2,65 % de branco). Naquele pleito, apesar da alta taxa de não‑voto, não houve primeiro‑turno definitivo porque o conjunto de candidatos abaixo de Jair Bolsonaro somou mais de 24 % dos votos, incluindo nomes como Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Cabo Daciolo, Marina Silva, Henrique Meirelles, Álvaro Dias e Guilherme Boulos.
A desidratação das candidaturas de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que passaram a receber voto útil em Lula e Flávio, pode ser decisiva para que a eleição termine no domingo. Historicamente, as únicas vezes em que a disputa presidencial no Brasil chegou perto de ser concluída no primeiro turno foram em 2006 e 2022, ambas com Lula enfrentando um adversário que superou 40 % dos votos e um pelotão abaixo pouco competitivo.
Para contextualizar, há duas décadas Lula obteve 48,61 % dos votos, enquanto Geraldo Alckmin ficou com 41,64 %; Heloísa Helena recebeu 6,85 % e Cristovam Buarque, 2,64 %. Na eleição de 2022, Lula chegou a 48,43 %, Jair Bolsonaro a 43,20 %, Simone Tebet a 4,16 % e Ciro Gomes a 3,04 %.
O último levantamento do Datafolha indica que o pelotão abaixo dos dois primeiros colocados pode ficar ainda mais reduzido: Augusto Cury registrou 4 % das intenções de voto, Ronaldo Caiado 3 %, Renan Santos 3 % e Romeu Zema 1 %. Em momentos anteriores da campanha, Cury chegou a 8 %, Caiado a 5 %, Renan a 4 % e Zema a 2 %.
Quanto à possibilidade de Flávio Dino ganhar impulso na reta final do primeiro turno, o candidato tem apostado em fenômenos de voto útil e na mobilização de eleitores desencantados, buscando transformar o cansaço geral em apoio direto ao seu nome.
Com informacoes de O GLOBO.

