Documentário de Alex Gibney desmonta Elon Musk e o rotula como o homem mais desenfreado da Terra
Alex Gibney, vencedor do Oscar, lançou o documentário "Musk" com duração de quatro horas, que desmonta a imagem de visionário que Elon Musk cultivou ao longo de sua carreira.
O filme estreou na 83ª edição do Festival de Veneza, recentemente concluída, e analisa a trajetória do proprietário da Tesla, SpaceX e X (antigo Twitter), confrontando suas promessas com os resultados reais e sua atuação política global.
Como Musk recusou conceder entrevista, a produção recorreu a um avatar alimentado por inteligência artificial que reproduz declarações do próprio empresário; Gibney afirmou ter consultado advogados antes de usar a ferramenta, apesar das ameaças de processo por difamação enviadas pela equipe jurídica de Musk.
O documentário aborda diversas promessas não cumpridas, como a troca automatizada de baterias em 90 segundos anunciada em 2013, que nunca foi implementada, embora a Tesla tenha obtido créditos de veículos de zero emissão (ZEV) do governo da Califórnia, garantindo milhões de dólares em subsídios.
Também são analisados acidentes fatais envolvendo veículos da Tesla, a compra do Twitter (renomeado X) e a aliança de Musk com o ex‑presidente dos EUA Donald Trump, bem como suas ligações com a direita mundial, incluindo o presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
A gestão de Musk sobre a criptomoeda DOGE é criticada, assim como seu discurso sobre colonização de Marte e veículos 100 % autônomos, que o filme coloca em contraste com a realidade dos projetos.
Gibney descreve Musk como exemplo de “corrupção por causa nobre”, alguém que acredita que seus objetivos são tão elevados que se sente autorizado a usar quaisquer meios para alcançá‑los.
Em entrevista à imprensa em Veneza, o diretor explicou que, ao usar as próprias palavras de Musk, pretende montar uma narrativa mais ampla que mostre a “floresta” de fatos, em vez de eventos isolados, citando: “Por recorrer às palavras dele, visualizando-o dessa maneira, consultei advogados e tive o sinal verde”.
Ele acrescentou: “Grande parte do que Elon Musk diz traz uma carga de irrealidade. Então a ideia aqui foi abraçar tanto o que é realidade quanto o que não é, com base nas próprias ideias de Musk”.
O filme ainda não tem data de estreia prevista para o Brasil, mas promete oferecer uma viagem ao universo do primeiro trilionário da história, incluindo a referência de Musk a viver em uma simulação, que motivou a escolha do avatar IA.
Ao definir Musk como o “homem mais desenfreado da Terra”, o documentário resgata como ele construiu seu império desde os primeiros passos no setor tecnológico, sem escapar ao olhar crítico de Gibney.
Musk continua idolatrado por fãs de tecnologia, exploração espacial, engenharia e por conservadores em geral, especialmente após sua aliança com Donald Trump; o filme mostra como essa polarização contribui para que ele seja ao mesmo tempo uma das figuras mais poderosas, influentes e odiadas do planeta.
Enquanto o cineasta é atacado por Musk no X, a equipe jurídica do empresário já comunicou a intenção de processar os envolvidos, acusando o documentário de difamação, mas Gibney mantém tranquilidade ao afirmar que o projeto foi construído sobre as próprias declarações do empresário.
Com informacoes de NeoFeed.

