Dia Nacional da Doação de Órgãos: DF registra 319 transplantes em 2026 e tem quase 2 mil pacientes na fila
No Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado neste domingo (27), a Secretaria de Saúde do Distrito Federal divulgou que 319 transplantes foram realizados no ano de 2026, enquanto 1.902 pessoas permanecem cadastradas nas listas de espera por órgãos e córneas até 31 de agosto.
Os números de transplantes foram extraídos do Painel InfoSaúde, que aponta a realização de 319 procedimentos na rede pública do DF entre janeiro e maio de 2026. Já a quantidade de pacientes na fila foi confirmada pela Secretaria de Saúde, que mantém o registro atualizado até o final de agosto.
Um dos casos que ilustra a realidade da espera é o de Adalberto Souza da Anunciação, 33 anos, que recebeu um transplante de coração em 2025. Os primeiros sintomas surgiram de forma repentina; ao procurar um clínico geral, foi orientado a buscar um cardiologista devido ao aumento do coração. Adalberto foi internado inicialmente por 28 dias no Hospital de Base do Distrito Federal, onde recebeu o diagnóstico preliminar de infecção viral. Posteriormente, passou cerca de 20 dias no Hospital Santa Helena, retornou ao mesmo hospital após nova piora e recebeu a informação de que não poderia ser liberado até a realização do transplante, pois seu coração estava extremamente fraco.
Ele permaneceu internado no Hospital Santa Helena por aproximadamente um ano, aguardando a disponibilidade de um órgão compatível. O transplante foi realizado no Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF) em 5 de fevereiro de 2025. Desde então, Adalberto relata boa recuperação, segue com a medicação prescrita, retornou ao trabalho e está retomando os projetos que tinha antes da doença, enfatizando que a doação de órgãos salva vidas.
Em 2025, a rede pública do DF realizou 38 transplantes de coração, entre eles o procedimento de Adalberto. O cardiologista Hugo Faria explicou que a alocação de órgãos não segue apenas a ordem de chegada; são avaliados critérios como urgência clínica, compatibilidade sanguínea, tamanho adequado do órgão e tempo de espera.
Faria destacou que a doação não elimina a dor da perda, mas oferece a outras famílias a oportunidade de seguir juntas. Ele reforçou a importância de conversar previamente com os familiares sobre a vontade de ser doador, afirmando que deixar essa decisão clara é um ato de cuidado que evita dúvidas no momento de luto. Segundo o especialista, a família deve ser acolhida, ouvida e respeitada durante a conversa, que é uma das mais delicadas que podem enfrentar.
No Brasil, a doação de órgãos só pode ocorrer após autorização da família, sendo essencial que o desejo do potencial doador seja comunicado aos parentes. Após o transplante, o paciente inicia uma fase de acompanhamento regular, uso vitalício de imunossupressores e cuidados para prevenir infecções, podendo, conforme orientação médica, retomar atividades laborais e físicas.
O Dia Nacional da Doação de Órgãos, portanto, serve como um lembrete da necessidade de discutir a doação em vida, permitindo que, em momentos de dor, a decisão já esteja clara e possa transformar a perda em esperança para outras pessoas.
Com informacoes de G1.

