Desmatamento no Brasil coloca agricultores dos EUA em desvantagem, diz representante comercial americano

Por Sebastião Gomes da Silva em Rio Verde, GO 30/07/2026 06:58
Desmatamento no Brasil coloca agricultores dos EUA em desvantagem, diz representante comercial americano

Foto: Piroschka van de Wouw/Reuters

O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou durante uma audiência no Comitê de Finanças do Senado americano que práticas de desmatamento no Brasil colocam os agricultores americanos em desvantagem competitiva.

Greer também afirmou que 'padrões ambientais mais baixos em outros países justificam tarifas mais altas' e reiterou que os EUA trabalham para manter e expandir o acesso ao mercado agrícola em outros países, como o México e o Canadá.

Como já mostramos, o desmatamento ilegal foi um dos principais argumentos usados pelo governo americano para justificar o novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que 'oneram ou restringem' o comércio com os Estados Unidos.

Entre essas práticas, segundo a investigação americana, estaria a oferta de produtos como madeira e carne a preços mais competitivos porque eles seriam produzidos em áreas associadas a crimes ambientais. Para sustentar essa acusação, o documento recorre principalmente a dados de desmatamento, mas cita indicadores já defasados.

Um deles é a alta do desmatamento registrada em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro, quando o país teve um dos piores resultados da série histórica recente. Embora os dados citados sejam reais, o documento ignora números mais recentes que apontam queda nos índices de desmatamento.

Um exemplo é o fato de o país ter registrado, em 2025, a menor taxa de desmatamento na Amazônia em mais de dez anos. Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que os argumentos sobre o desmatamento no Brasil utilizados pelos Estados Unidos para justificar o novo tarifaço contra produtos brasileiros são 'absolutamente improcedentes'.

Capobianco afirmou que toda a madeira exportada pelo Brasil é certificada e passa por um sistema rigoroso de fiscalização, reiterando que a informação utilizada pelo governo americano é 'absolutamente inverídica'. As declarações foram feitas no mesmo dia em que o novo tarifaço de 25% imposto pelo governo americano sobre produtos brasileiros entrou em vigor.

A expectativa é que outra tarifa adicional, estimada entre 10% e 12,5%, seja anunciada nos próximos dias para cerca de 60 países, incluindo o Brasil. Nesse caso, a cobrança estaria relacionada a investigações sobre supostas práticas de trabalho forçado.

Com informacoes de G1 Agronegócios.

Sebastião Gomes da Silva

Sobre o Autor: Sebastião Gomes da Silva

Tião é o agro do MOTNAF.NEWS de bota e chapéu. Cotação de soja, milho, boi e café, clima para a safra, tecnologia no campo, exportação e as decisões que mexem com quem produz o alimento do Brasil. Direto, sem enrolação e com o pé no barro, do pequeno produtor ao agronegócio que move o país.