Deputado Otoni de Paula, ex‑vice‑líder bolsonarista, anuncia voto em Lula e destaca risco de Flávio Bolsonaro
O deputado Otoni de Paula, que já ocupou a vice‑liderança do governo de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, afirmou que irá votar em Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026, qualificando a escolha como "fundamental" para o futuro da nação.
Em entrevista, o ex‑bolsonarista declarou: "Nunca votei em Lula. Fiz oposição ferrenha. Mas tive um encontro com a verdade, não com a narrativa de quem ele era. E a verdade me trouxe até ali. Embora haja consequências dessa minha decisão, a sua eleição hoje é fundamental para o nosso país".
Otoni justificou o apoio ao petista ao apontar o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), filho do ex‑presidente, como "um perigo muito grande" para o Brasil. Ele ainda lembrou que, no último pleito, "nós só votamos no Cláudio Castro por conta da família Bolsonaro. Eles nos pediram isso", referindo‑se ao ex‑governador do Rio de Janeiro, alvo de diversas investigações.
Segundo o deputado, a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro tem repercutido entre os evangélicos, ressaltando que o presidente foi o "que mais honrou a igreja". Em outro momento, Otoni alertou que "o ódio se instalou no nosso meio e hoje é uma perseguição. O evangélico que vota no senhor está sendo excomungado, está sendo excluído, perseguido... Eu não vou permitir que nem a igreja, nem o meu Estado, nem o meu país seja entregue a esta família que conheci muito bem de perto".
Antes de mudar de posicionamento, Otoni de Paula foi escolhido por Ronaldo Caiado (PSD), candidato à presidência, como principal articulador da campanha junto a igrejas e lideranças religiosas. O objetivo, segundo o parlamentar na época, era usar sua capilaridade para abrir portas em denominações relevantes e inserir o candidato em agendas já consolidadas do meio evangélico, evitando uma entrada abrupta. "Como o tempo é curto, a ideia é levá‑lo nesses encontros de lideranças evangélicas, convenções de pastores e depois nas grandes igrejas", explicou ao Globo.
A Assembleia de Deus de Madureira, liderada pelo bispo Samuel Ferreira, tem relação histórica com a política e se aproximou do bolsonarismo em 2018, mas não apoiou a candidatura de Eduardo Bolsonaro. No ano passado, o bispo, o deputado Cezinha de Madureira (PSD‑SP) e o ministro da Advocacia‑Geral da União, Jorge Messias, foram recebidos por Lula no Palácio do Planalto. O presidente descreveu o encontro como "especial, de emoção e fé", destacando o relato do pastor sobre o crescimento da igreja evangélica no país.
Durante a gestão de Jair Bolsonaro, Otoni chegou a ocupar a função de vice‑líder do governo na Câmara dos Deputados. Contudo, a partir de 2022 ele começou a sinalizar distanciamento do bolsonarismo, intensificado em 2024, quando agradeceu publicamente a Lula pela criação do Dia Nacional da Música Gospel, gerando acusações de traição por parte de lideranças protestantes.
O afastamento se aprofundou quando o deputado atuou como articulador da candidatura à reeleição do ex‑prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), e não apoiou o nome indicado pelo bolsonarismo para a disputa municipal de 2024, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL‑RJ). Em fevereiro de 2025, Otoni perdeu a disputa pelo comando da Frente Parlamentar Evangélica para o deputado Gilberto Nascimento (PSD‑SP), que contou com o apoio de Jair Bolsonaro e de seus aliados.
No mesmo ano, Otoni manifestou apoio à indicação de Jorge Messias como advogado‑geral da União, reforçando sua aproximação ao governo Lula.
Com a eleição presidencial marcada para 2026, a abertura das urnas está prevista para 4 de outubro, e o acompanhamento dos resultados será feito por meio de mapas e análise por bancada, conforme divulgado pelos veículos de imprensa.
Com informacoes de O GLOBO.

