Delegado Felipe Curi, eleito deputado federal pelo RJ, transforma operação Contenção em capital político
A vitória nas urnas do Delegado Felipe Curi — eleito deputado federal pelo Progressistas do Rio de Janeiro — explicita um fenômeno recorrente na política fluminense: a transformação da atuação policial em capital político‑eleitoral.
Curi, ex‑secretário de Estado de Polícia Civil do governo de Cláudio Castro (Republicanos), pavimentou sua ida para Brasília na votação do último dia 4 de outubro de 2026, quando recebeu 133.626 votos, o equivalente a 1,51% dos votos válidos no estado, sendo o 14º candidato mais votado do Rio de Janeiro para o cargo. Na capital fluminense, Rio de Janeiro, obteve o maior número de votos individuais: 83.257.
O pilar central de sua projeção pública recente foi o comando da operação Contenção, deflagrada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão. A ação mobilizou centenas de agentes, resultou em 121 mortos em apenas 24 horas — incluindo quatro policiais — e foi apresentada pelo governo como um ataque à cúpula da facção criminosa Comando Vermelho. O saldo de mais de 120 mortos tornou‑se o episódio policial mais letal da história do Brasil, superando o “Massacre do Carandiru” de 1992, que deixou 111 presos mortos.
Aos 50 anos, nascido em agosto de 1976 na cidade do Rio de Janeiro, Felipe Lobato Curi ingressou na Polícia Civil fluminense após concluir o curso de Direito e atuar na iniciativa privada. Ao longo de duas décadas na corporação, percorreu os degraus clássicos da hierarquia policial: chefiou a Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), dirigiu o Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) e comandou o Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), construindo uma imagem de policial inflexível.
Em setembro de 2024, foi nomeado por Cláudio Castro como Secretário de Estado de Polícia Civil. Na pasta, ampliou mecanismos como as promoções por bravura, reforçando a ênfase em ações ostensivas.
O divisor de águas da gestão de Curi ocorreu com a operação Contenção, cujo saldo de vítimas foi usado por candidatos e apoiadores alinhados à linha dura do governo estadual para atrair um eleitorado amedrontado pelo descontrole das facções criminosas e milícias que ocupam amplas porções do território do Rio.
Em março de 2026, Curi deixou o cargo de Secretário de Polícia Civil, filiou‑se ao Progressistas (PP) e formalizou a candidatura à Câmara dos Deputados. Durante a campanha, defendeu que a segurança pública não deve ser tratada apenas como responsabilidade dos governos estadual e federal, apontando a chamada desordem urbana como etapa que pode anteceder o avanço de crimes mais graves e a ocupação de territórios por grupos criminosos. Propôs maior atuação das guardas municipais e dos setores de fiscalização de posturas e segurança urbana, argumentando que o controle de problemas “menores” pode impedir a expansão do crime organizado.
Na esfera penal, Curi propôs a redução da maioridade penal de 18 para 14 anos, acompanhada de ampliação do período de internação de adolescentes envolvidos em crimes graves, como forma de evitar que o trabalho das polícias seja seguido pela rápida liberação de criminosos.
A plataforma do delegado foi a própria operação Contenção, apresentada como prova de coragem e eficiência contra o crime. Essa estratégia política recebeu críticas de representantes da categoria policial, que apontaram a ausência de planos de reestruturação das carreiras, investimentos em inteligência e tecnologia.
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Com informacoes de Gazeta do Povo.

